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Crítica

Ryan Fidelis

: "Tons De Marrom"

Ano: 2026

Selo: Cuervo Música

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Maui e Luccas Carlos

Ouça: Rosa Maria, Corpo Suado e Alto-Mar

8.2
8.2

Ryan Fidelis: “Tons de Marrom”

Ano: 2026

Selo: Cuervo Música

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Maui e Luccas Carlos

Ouça: Rosa Maria, Corpo Suado e Alto-Mar

/ Por: Cleber Facchi 15/06/2026

Por mais previsível que seja a narrativa romântica construída por Ryan Fidelis em Tons De Marrom (2026, Cuervo Musica), difícil não ceder aos encantos do artista. Sequência ao material entregue no ainda recente Alma (2025), o álbum não apenas escancara a evolução criativa do cantor e compositor catarinense, como destaca a sensibilidade poética, a vulnerabilidade e a entrega de Fidelis durante toda a execução do disco.

Conceitualmente dividido em três atos, Tons de Marrom reserva aos minutos iniciais do disco o lado mais apaixonado de Fidelis. São faixas que celebram o amor preto, referenciam diretamente nomes como Jorge Ben Jor, Cassiano e MC Kekel, além de encontrar no suporte de convidados como Maui, JOK3R e Nina um complemento natural aos versos que transbordam sentimentos e revelam as cenas iniciais de uma relação.

Passado o interlúdio que antecede Marte, Fidelis encaminha o ouvinte para a segunda metade do trabalho. A partir desse ponto, a relação construída nos minutos iniciais da obra fica cada vez mais confusa, sombria e emocionalmente instável. Ainda que os temas se repitam vez ou outra, o capricho do artista na montagem dos versos convence sem dificuldades, conceito reforçado no encontro com Yoún e na própria faixa-título.

O problema acaba ficando por conta do andamento rítmico do registro, com Fidelis investindo em canções marcadas pelo minimalismo excessivo. Exemplo disso fica bastante evidente na sequência formada pelas faixas Sonhos Distantes e Redimir. É somente com a chegada da música-título, com suas vozes ascendentes e metais, que o trabalho volta aos eixos, com o artista se reerguendo por completo em Sintomas de Amor.

Invadida pela lucidez dos versos, Perto de Mim encaminha o registro para os momentos finais. É como um respiro que antecede a potência de Alto-mar. Fim da jornada sentimental iniciada em Rosa Maria, a música não apenas pontua a narrativa elaborada por Fidelis, como eleva o trabalho do artista catarinense. Do uso das vozes ao refinamento na construção dos arranjos, tudo se articula em um fechamento quase apoteótico.

Dessa forma, mesmo quando esbarra em canções que se entregam aos clichês do gênero, Fidelis encontra sempre um componente de ruptura sonoro, lírico ou emocional que distancia do trabalho do óbvio e leva o repertório do disco para outras direções. Um exercício criativo marcado pelo refinamento técnico, mas que a todo momento prioriza o sentimento, proposta que embala a experiência do ouvinte até os minutos finais.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.