Ano: 2026
Selo: Geffen
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Hayley Williams e Chappel Roan
Ouça: The Cure, Stupid Song e What’S Wrong With Me
Ano: 2026
Selo: Geffen
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Hayley Williams e Chappel Roan
Ouça: The Cure, Stupid Song e What’S Wrong With Me
Se em Sour (2021) e Guts (2023) Olivia Rodrigo parecia testar suas possibilidades, em You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love (2026, Geffen), a artista norte-americana sabe exatamente onde quer chegar. Partindo de uma narrativa dividida em dois atos, o trabalho explora a descoberta de um amor intenso e idealizado para, em seguida, mergulhar na gradual deterioração e término que destacam a força poética da cantora.
Mais uma vez acompanhada pelo produtor Dan Nigro (Chappell Roan, Lorde), com quem tem colaborado em estúdio desde o começo da carreira, Rodrigo usa do trabalho para ampliar os próprios limites criativos. A nostálgica relação com o pop rock dos anos 1990 e 2000, marca dos registros anteriores, agora fica em segundo plano, com a californiana e o parceiro de produção mergulhando na estética da década de 1980.
Em Maggots for Brains, por exemplo, a bateria eletrônica e as guitarras soturnas soam como um ponto de equilíbrio entre a obra de Joy Division e New Order. Já em Drop Dead, com seus sintetizadores destacados, é o flerte com a new wave que chama a atenção. A própria presença de Robert Smith, líder do The Cure, na melancólica What’s Wrong With Me, funciona como um reforço claro a esse aspecto revivalista do trabalho.
Entretanto, é quando alcança uma abordagem harmônica, incorporando elementos do presente álbum com ecos dos discos anteriores, que a artista garante ao público algumas das melhores composições do registro. É o caso de Stupid Song, faixa que parte dos pianos minimalistas que evocam Drives License para, minutos à frente, explodir em um jogo de batidas enérgicas e vozes que escancaram a evolução técnica de Rodrigo.
Nada que dê conta de preparar o ouvinte para a potência explícita em The Cure. Enquanto a letra revela as inseguranças e a plena compreensão de Rodrigo sobre os próprios traumas, a base instrumental da canção passeia por diferentes referências de forma explícita. Dos violões que soam como uma versão acústica de Everlong, do Foo Fighters, passando pelos temas orquestrais, tudo se converte em algo próprio da cantora.
Mesmo quando encolhe musicalmente, como em Begged e Honeybee, Rodrigo encontra sempre um ponto de ruptura emocional ou lírico que eleva o repertório do registro. Não se trata de algo transgressor, afinal, muitos dos temas abordados em You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love parecem resgatados dos discos passados. A diferença está na forma como a artista, pela primeira vez, parece ter pleno domínio da própria criação, combinando narrativa, sentimento e técnica em um trabalho que evidencia suas potencialidades.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.