Ano: 2026
Selo: Nice Guys
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Rubel e Cícero
Ouça: Colchão, Sim e Puer Aeternus (19)
Ano: 2026
Selo: Nice Guys
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Rubel e Cícero
Ouça: Colchão, Sim e Puer Aeternus (19)
O Rio de Janeiro tem uma longa tradição de compositores masculinos que, ao transitar para a vida adulta, encontraram as bases para a produção de registros preciosos. De Cícero a Rubel, passando por veteranos como Marcelo Camelo, sobram bons exemplos de artistas que confessaram suas angústias, inquietações e relacionamentos instáveis, fazendo dessa vulnerabilidade um claro instrumento de diálogo com o ouvinte.
Nome da vez, Pedro Mizutani assume esse posto ao transformar o introdutório Nova Bossa: Aquele Abraço Aos Ratos Vivos (2026, Nice Guys) em um relato pessoal sobre as experiências vividas nos últimos anos. É como um delicado exercício de exposição emocional que trata sobre amores desfeitos, reflete sobre temas relacionados à saúde mental e estabelece na profunda honestidade dos versos seu maior atributo criativo.
“É preciso deixar cegar / A vida, eu sei, dá tanto medo”, canta o artista em Puer Aeternus (19), música que sintetiza esse misto de fragilidade emocional e coragem de encarar a vida adulta que move o trabalho. São canções que atravessam paisagens urbanas, sempre enevoadas por baforadas de maconha, porém lúcidas, como se o compositor oscilasse entre o presente e a memória, costurando a narrativa emocional do disco.
Exemplo disso fica bastante evidente em Colchão, composição que trata sobre a gradual construção de um relacionamento baseado na cumplicidade e no acolhimento mútuo, mas hoje desfeito. “E hoje eu sei quanta sorte eu poder te encontrar / Bem na hora em que eu pensava ser um estrangeiro / Você nem me contou / Que tinha o mesmo medo”, confessa Mizutani em meio a violões econômicos que destacam o uso do vocal.
Essa sutileza instrumental, tão eficiente para a formação do registro, é também sua maior fragilidade. Salvo exceções, como a ascendente Sim, composição que toca no pós-rock, e Queria Ter Nove, com seus ruídos e texturas labirínticas, grande parte do trabalho se sustenta em uma base bastante formal de samba rock e bossa nova. Faltam momentos de maior tensão que distanciem Mizutani daqueles que vieram antes dele.
Ainda assim, o capricho impera durante toda a execução de Nova Bossa: Aquele Abraço Aos Ratos Vivos. Apesar da similaridade com seus predecessores, Mizutani, acompanhado pela produção de Guilherme Lírio, encanta sem dificuldades. Seja nos momentos de maior explosão criativa, como em Autent: Eterno Retorno, ou nos instantes de reducionismo, sobram sentimentos e narrativas que se conectam ao público.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.