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Crítica

Inundaremos

: "Tanquemante"

Ano: 2026

Selo: Registro Móvil

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: Candelabro e Chini.png

Ouça: 3300, Sangre Viva e Abyecta

8.4
8.4

Inundaremo: “Tanquemante”

Ano: 2026

Selo: Registro Móvil

Gênero: Indie Pop

Para quem gosta de: Candelabro e Chini.png

Ouça: 3300, Sangre Viva e Abyecta

/ Por: Cleber Facchi 26/06/2026

Se em Esto lo hice sin querer (2023) Francisca Fuenzalida e seus companheiros de banda no Inundaremos pareciam investir em um trabalho marcado pelo reducionismo acústico, em Tanquemante (2026, Registro Móvil) o grupo segue o caminho oposto. Segundo e mais recente álbum de estúdio do quinteto de Santiago, no Chile, o disco de treze faixas expande lírica e musicalmente os horizontes de possibilidades do projeto.

Com produção assinada por Juan Diego Soto, um dos arquitetos do álbum Deseo, Carne y Voluntad (2025), mais recente trabalho de estúdio dos conterrâneos da Candelabro, o registro inspirado pela obra do poeta Juan Radrigán revela a potência do Inundaremos. Enquanto os versos se aprofundam em conflitos e temas emocionais de maneira bastante direta, arranjos orquestrais elevam o fino repertório entregue pela banda.

São ecos de artistas como Belle and Sebastian, Camera Obscura, I’m From Barcelona e tantos outros tantos projetos que, mesmo utilizando de narrativas simples sobre o cotidiano, encontraram no rico acabamento instrumental uma maneira de engrandecer suas criações. Do saxofone complementar de Javiera Faúndez, passando pelos arranjos de cordas que surgem e desaparecem ao longo do registro, tudo salta aos ouvidos.

E isso fica bastante evidente durante toda a primeira metade do disco. Do momento em que tem início, em Intromisión, até alcançar 8veces, sobram exemplos do profundo refinamento estético do quinteto. Canções marcadas pelo uso calculado dos arranjos e temas instrumentais, mas que nunca deixam de dialogar com o pop, tratamento reforçado em preciosidades como 3300, Sangre Viva e, principalmente, na festiva 100mts.

Com a chegada de Abyecta, a lógica do disco se inverte, com o grupo investindo em um repertório cada vez mais sombrio e orientado ao rock, mas não menos fascinante. Exemplo disso fica bastante evidente na faixa que inaugura o segmento, com Fuenzalida desabando emocionalmente. Mesmo que composições como a acústica Semblante pareçam incapazes de igualar a força da porção inicial da obra, o capricho permanece.

Das linhas de guitarras consumidas pelos ruídos, passando pela profunda entrega sentimental explícita nos versos, cada novo movimento do disco destaca a íntima relação do grupo que ainda conta com os músicos Vicente Reyes, Vicente Gottreux, Benjamín Aguirre e Sergio Arciego. Uma combinação contrastante que vai da euforia ensolarada ao recolhimento soturno em um exercício de amadurecimento pessoal e coletivo.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.