Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Indie, Art Rock
Para quem gosta de: Cícero e Bernardo Bauer
Ouça: Uma Festa No Centro do Vazio e Astronauta
Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Indie, Art Rock
Para quem gosta de: Cícero e Bernardo Bauer
Ouça: Uma Festa No Centro do Vazio e Astronauta
Diferentes são os caminhos percorridos por João Carvalho em mais de uma década de carreira. Como um dos integrantes da El Toro Fuerte, o artista confessou sentimentos em um dos projetos mais expressivos do famigerado rock triste. Já como Sentidor, se aventurou pela produção eletrônica, conceito reforçado com o paralelo Rio Sem Nome, em que usou de uma proposta criativa ainda mais exploratória dentro de estúdio.
Interessante perceber em Uma Festa no Centro do Vazio (2026), primeiro registro assinado com o próprio nome, uma combinação natural de todas essas diferentes fases do artista. São canções marcadas pelo forte aspecto contemplativo e o uso de temas instrumentais que mergulham no etéreo, porém estabelecem na construção dos versos, cada vez menos pessoais e mais abrangentes, um curioso componente de ruptura.
Inspirado pelo contato com as comunidades ribeirinhas e outros povos tradicionais atingidos por grandes mineradoras em Minas Gerais e no Espírito Santo, Carvalho deixa de lado o sentimentalismo dos primeiros registros para mergulhar em um trabalho muito mais complexo. As letras, antes intimistas, agora passeiam em meio a paisagens descritivas que destacam a relação entre a natureza e o impacto das ações humanas.
Ainda que o canto arrastado e a voz deficitária do artista nem sempre deem conta de traduzir com beleza o que se articula nos versos, Carvalho compensa com o fino acabamento instrumental do disco. Coproduzido em parceria com os músicos Bernardo Bauer e Felipe D’Angelo, o trabalho alcança um ponto de equilíbrio entre a musicalidade de veteranos da cena mineira, como Milton Nascimento e Lô Borges, com o apego do cantor pela produção de estrangeiros como Radiohead e Fleet Foxes, confessas inspirações para o material.
Partindo dessa abordagem, Carvalho se divide entre momentos de maior contemplação e faixas marcadas pela urgência dos elementos. Exemplo disso fica bastante evidente na sequência formada por Astronauta e a música-título do disco. Enquanto a primeira convida o ouvinte a flutuar pelo cosmos, com a composição seguinte, uma colaboração com Clara Bicho, é a aceleração das batidas e guitarras que captura a atenção.
Sobrevive nessa contrastante base rítmica e no criativo diálogo com diferentes parceiros a real beleza do repertório montado por Carvalho. Ainda que seja o primeiro registro assinado com o próprio nome, Uma Festa no Centro do Vazio talvez seja o disco mais colaborativo do músico mineiro. São nomes como Fábio de Carvalho, Fernando Motta, Ciro Trevisan e Jovana Trifunovic que surgem e desaparecem ao longo do álbum, reforçando esse aspecto coletivo que vai da escolha dos temas ao processo de criação do trabalho.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.