Ano: 2026
Selo: Warner
Gênero: Pop, Eletrônica
Para quem gosta de: Kylie Minogue e Lady Gaga
Ouça: I Feel So Free, Danceteria e One Step Away
Ano: 2026
Selo: Warner
Gênero: Pop, Eletrônica
Para quem gosta de: Kylie Minogue e Lady Gaga
Ouça: I Feel So Free, Danceteria e One Step Away
Confessions II (2026, Warner) é um desses raríssimos casos em que a continuação não apenas expande o universo criativo proposto na versão original, como a supera. Sequência ao material entregue no cultuado Confessions on a Dance Floor (2005), o registro marca o reencontro entre Madonna e o produtor britânico Stuart Price, celebra as pistas sem se repetir e ainda funciona como um documento sonoro autobiográfico.
Parte desse resultado vem do processo de criação do disco. Enquanto Madonna e Price se reencontraram durante a Celebration Tour e foram trabalhando aos poucos na construção de um repertório, a artista foi convidada pela Universal a produzir e roteirizar um filme sobre sua carreira. O projeto acabou arquivado, mas o olhar para a própria trajetória e o resgate de antigas lembranças estimulou criativamente a cantora.
Exemplo disso fica bastante claro em Danceteria. Homenagem ao clube noturno onde Madonna debutou nas pistas, a canção que ainda interpola Walk on the Wild Side, de Lou Reed, resgata amigos íntimos da cantora, caso de Martin Burgoyne e Debi Mazar, e revisita os anos 1980 enquanto cita personagens como Keith Haring, Jean-Michel Basquiat, David Byrne e The B-52’s em uma linguagem próxima daquilo que a própria artista havia testado em Vogue. Entretanto, nem só de nostalgia vive o repertório de Confessions II.
Durante toda a execução do disco, Madonna abre passagem para o diálogo com novos parceiros criativos. Em I Feel So Free, por exemplo, é a produção adicional de Arca, com quem volta a colaborar em The Test, encontro com a própria filha, Lola Leon. Já em Bring Your Love, Sabrina Carpenter assume parte dos versos e reforça o tom provocativo da faixa. Surgem ainda colaborações discretas, como Stromae, em My Sins Are My Savior, e o colombiano Feid, na deslocada Read My Lips, mas nada que diminua o brilho do repertório.
Embora entrecortado por diferentes colaboradores, prevalece na íntima relação entre Madonna e Price o estímulo para algumas das melhores faixas da obra. É o caso de One step away, música que atualiza o estilo de produção do trabalho anterior, utiliza de uma abordagem minimalista que dialoga com nomes recentes como DJ Koze e ainda sustenta no texto inicial um manifesto sobre o próprio disco. “A pista de dança não é apenas um lugar, é um limiar. Um espaço ritualístico onde o movimento substitui a linguagem”, diz a artista.
Movida por esse sentimento de libertação, Madonna garante ao público o melhor trabalho de sua carreira em mais de duas décadas. Ainda que os temas e estruturas se repitam ao longo da obra, principalmente a partir de Love Without Words, a força dos versos e a produção atenta de Price compensam. Mesmo quando se afasta das pistas e resgata antigas memórias, como na reducionista L.E.S. Girl, a cantora tem sempre um elemento lírico e emocional que captura a atenção do ouvinte e destaca o capricho do álbum. Que retorno.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.