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Crítica

Rincon Sapiência

: "Um Corpo Preto"

Ano: 2026

Selo: MGoma

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Criolo e Emicida

Ouça: Cassino, Mel Na Sua Cara e Diáspora

8.6
8.6

Rincon Sapiência: “Um Corpo Preto”

Ano: 2026

Selo: MGoma

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Criolo e Emicida

Ouça: Cassino, Mel Na Sua Cara e Diáspora

/ Por: Cleber Facchi 10/07/2026

Os sete anos que separam Mundo Manicongo (2019) de Um Corpo Preto (2026) foram bem movimentados para quem acompanha a música de Rincon Sapiência. Enquanto mergulhou em uma série de composições esporádicas em carreira solo, inclusive durante o período pandêmico, o rapper paulistano aproveitou para estreitar laços com nomes vindos dos mais variados campos da cena nacional, indo de Anitta a Rachel Reis.

Toda essa multiplicidade de estilos e intenso diálogo com diferentes parceiros criativos acaba se refletindo na maneira como Sapiência marca seu retorno após mais de meia década. Trabalho mais diverso do artista paulistano, o registro de 17 canções combina a riqueza rítmica do álbum que o antecede com as temáticas afrodiaspóricas e as questões raciais que acompanham o rapper desde a estreia com Galanga Livre (2017).

A diferença está na forma como Sapiência parte do ambiente ao redor e de questões historiográficas para, em seguida, mergulhar em canções cada vez mais expositivas e emocionais. “Com várias eu já tirei minha roupa / Contigo eu tiro a armadura”, dispara em Mel na Sua Cara, música que escancara a vulnerabilidade do artista ao mesmo tempo que destaca as tensões sexuais, o erotismo e a intimidade que invade o registro.

Claro que essa mudança de postura não interfere na entrega de faixas orientadas pelo forte discurso racial e político, marca dos trabalhos anteriores. A própria sequência de abertura, formada por Diáspora, Cuidar de Mim e Cassino, funciona como uma boa síntese desse resultado. “Não boicote aquele negão que você viu cedinho na frente do espelho / Não replique aquele negão deitado no chão, asfalto vermelho, sangue”, rima.

Partindo dessa abordagem que equilibra momentos de profunda tensão e versos marcados pela fragilidade emocional, Sapiência garante uma de suas obras mais diversas e complexas. Ainda que o volume excessivo de músicas estenda o trabalho para além do necessário, atrasando a chegada de boas canções como Dum Dum, próxima ao encerramento do registro, o capricho na construção das batidas, rimas e bases convence.

Enquanto o trabalho vai do ragga ao R&B, do afropop ao drum and bass sem perder o controle, Sapiência aproveita para estreitar laços com parceiros como Dino D’Santiago, Lino Krizz, Mylena Drague, Funk Buia, PériclesMarissol Mwaba, com quem divide a festiva Homem Gol. São diferentes atravessamentos rítmicos, instrumentais e líricos que destacam o controle criativo e o domínio do rapper mesmo mergulhado no caos.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.