Ano: 2026
Selo: Epitaph
Gênero: Rock, Metalcore
Para quem gosta de: Chat Pile e Knocked Loose
Ouça: Hum of Hurt, Doom In Bloom e Dream Debris
Ano: 2026
Selo: Epitaph
Gênero: Rock, Metalcore
Para quem gosta de: Chat Pile e Knocked Loose
Ouça: Hum of Hurt, Doom In Bloom e Dream Debris
Sem um novo registro de inéditas em quase uma década, foi natural que, ao deixar o estúdio, os membros do Converge tivessem em mãos material o suficiente para dois lançamentos. Descrentes de que um álbum duplo seria a solução, os músicos Jacob Bannon, Kurt Ballou, Nate Newton e Ben Koller revelaram primeiro Love Is Not Enough (2026), voltando meses mais tarde com o complementar Hum Of Hurt (2026, Epitaph).
Diferente do álbum que o antecede, uma obra dividida em duas metades bastante evidentes, o disco-irmão segue uma abordagem direta, com cada nova composição impulsionando a música seguinte. Em geral, são faixas curtas, livres de possíveis excessos e naturalmente impactantes, como uma extensão de tudo aquilo que o Converge tem explorado desde o início da carreira. É como se o ouvinte fosse impedido de respirar.
E isso vem do próprio objeto temático do disco. Com título inspirado pelo fenômeno do zumbido da Terra, o grupo parte da dor coletiva que ressoa em cada indivíduo. Não por acaso, parte expressiva do álbum gira em torno de questões existenciais e versos sempre consumidos pela culpa. “Sinto a luz do sol recuar / Ela não quer que eu veja / O que a minha introspecção traz”, confessa Bannon na atormentada Doom In Bloom.
Esse mesmo sentimento de angústia acaba se refletindo no processo de construção dos arranjos. Ainda que Hum of Hurt não traga nada de transgressor quando comparado a outros registros da banda, é fascinante a forma como o grupo consegue pressionar o ouvinte e criar tensão mesmo em faixas essencialmente curtas e dinâmicas. A própria Slip the Noose, na abertura do álbum, sintetiza essa densidade e força do Converge.
Entretanto, é quando tem um pouco mais de tempo que o grupo garante ao público algumas das melhores faixas do trabalho. Exemplo disso fica bastante evidente em Dream Debris. Com seis minutos de duração, a música não apenas preserva a mesma atmosfera atormentada do restante do álbum, como a potencializa, dando ainda mais destaque para a densa linha de baixo de Newton e a bateria quase opressiva de Koller.
Independentemente da direção percorrida em estúdio, Hum Of Hurt se revela como um álbum muito mais consistente em relação ao trabalho que o antecede. Seja nos momentos de maior densidade ou em canções emergenciais, tudo converge para um mesmo ponto de dor coletiva. Instantes em que o quarteto resgata o som atormentado de registros como All We Love We Leave Behind (2012) sem necessariamente se repetir.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.