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Crítica

YHWH Nailgun

: "Magazine"

Ano: 2026

Selo: 4AD

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Model/Actriz e Battles

Ouça: Stillness Blues, Ballerina e Innocent Sigh

7.7
7.7

YHWH Nailgun: “Magazine”

Ano: 2026

Selo: 4AD

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Model/Actriz e Battles

Ouça: Stillness Blues, Ballerina e Innocent Sigh

/ Por: Cleber Facchi 13/08/2026

Se em 45 Pounds (2025) os membros do YHWH Nailgun borraram os limites estilísticos da própria obra ao combinar diferentes gêneros dentro de cada composição, em Magazine (2026, 4AD), o grupo nova-iorquino brinca com a questão do formato. Sequência ao material entregue no último ano, o registro de dez canções chama a atenção ao se resolver em um reduzido intervalo de tempo — são apenas onze minutos de duração.

Entretanto, diferente de outros exemplares do punk ou do hardcore, onde a intencionalidade da urgência e a curta duração das faixas estão diretamente alinhadas ao discurso, em Magazine, o quarteto formado por Zack Borzone (vozes), Saguiv Rosenstock (guitarras), Jack Tobias (sintetizadores) e Sam Pickard (bateria), parte da compressão. Afinal, como inserir tantas informações, ritmos e elementos em um álbum tão curto?

Partindo dessa questão, o grupo se articula na construção de um repertório extremamente sofisticado, com músicas que condensam narrativas e atmosferas em menos de dois minutos. Enquanto os versos das faixas tratam sobre depravação, hipocrisia, caos e resistência por meio de imagens poéticas fragmentadas, bases liquefeitas tornam a instrumentação ainda mais indistinguível, mesmo preservando elementos de destaque.

A bateria de Pickard, por exemplo, segue como um componente fundamental para o álbum, servindo tanto como um marcador rítmico quanto um elemento de exploração em faixas como Stillness Blues. Por sua vez, as guitarras de Rosenstock surgem ainda mais abstratas e etéreas do que no disco anterior, encontrando no sintetizador de Tobias um instrumento irmão. Mesmo a voz de Borzone ganha muito mais clareza e espaço.

Ainda assim, a curta duração de determinadas faixas, como a própria música-título, concede ao disco uma desconfortável sensação de incompletude. Enquanto canções como Innocent Sigh e Ballerina se resolvem mesmo em um intervalo de poucos segundos, outras, como Give Blood e Burns, parecem mais fragmentos de ideias do que peças completas, reforçando a mesma fragilidade estrutural explícita no trabalho anterior.

Apesar desses momentos de maior instabilidade, Magazine mantém firme o caráter exploratório e o esforço do grupo em tensionar os limites da própria criação. Da mesma forma que em 45 Pounds, é difícil prever os movimentos do quarteto em estúdio. Os timbres característicos e os temas abordados ainda dialogam com o repertório do registro entregue há poucos meses, mas o caminho percorrido pelo YHWH Nailgun é outro.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.