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Crítica

Syd

: "Beard"

Ano: 2026

Selo: Free Lunch / Warner

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Kelela e Kehlani

Ouça: Call In, Any Time e Jasmin 17

7.7
7.7

Syd: “Beard”

Ano: 2026

Selo: Free Lunch / Warner

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Kelela e Kehlani

Ouça: Call In, Any Time e Jasmin 17

/ Por: Cleber Facchi 28/07/2026

O grande acerto de Syd ao se aventurar em carreira solo sempre foi o acabamento minimalista alinhado ao lirismo confessional que expôs as vivências da artista como uma mulher lésbica. Ainda que tenha desviado parcialmente desse percurso durante a produção de Broken Hearts Club (2022), a artista retorna de forma renovada ao mesmo território criativo apresentado em Fin (2017) com as canções do maduro Beard (2026).

A diferença em relação ao presente disco e o primeiro passo longe dos parceiros de banda no The Internet está na maturidade emocional de Syd. Se em Fin a artista mergulhava no próprio processo de descoberta sexual e em temas existenciais, em Beard ela sabe exatamente quem é. “Talvez eu tenha amadurecido, mas ainda sou eu”, confessa logo nos momentos iniciais, em Walls, música que aponta caminhos para o trabalho.

Influenciado pelo recente casamento de Syd com a modelo Ariana Simone, Beard mergulha na temática do amor, relacionamentos e crescimento emocional a partir de uma perspectiva não idealizada. São canções que se aprofundam em experiências cotidianas e na relação a dois em uma abordagem quase documental, com cenas do dia a dia, momentos íntimos e diálogos ao pé do ouvido transportados para dentro do disco.

Embora parta de uma proposta bastante intimista, curioso perceber Beard como a obra mais colaborativa de Syd. Enquanto a produção do disco se abre para nomes como Raphael Saadiq, parceiros como Blu June, na música Callin, o rapper Big Sean, em GMFU, e James Fauntleroy, na delicada Any Time, engrandecem o disco. Nada que diminua o impacto de faixas assumidas apenas por Syd, como a derradeira 2 Many Days.

Essa mesma pluralidade acaba se refletindo na própria base instrumental do disco. Sem necessariamente corromper o minimalismo do material, Syd se permite transitar por territórios ainda inexplorados em suas criações. Em Jasmin 17, por exemplo, são os ritmos afro-latinos que se conectam ao habitual R&B da artista. Já em My Love, minutos à frente, é o diálogo com a bossa nova que potencializa o romantismo dos versos.

Ainda que esse esforço em ampliar os próprios horizontes seja incapaz de garantir mudanças realmente significativas ao trabalho de Syd, o sempre meticuloso processo criativo e entrega sentimental da cantora compensam. A cada nova composição do disco, a artista transforma fragmentos simples do cotidiano em canções preciosas, como momentos tão íntimos e particulares que passam a pertencer ao próprio ouvinte.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.