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Crítica

Eartheater

: "Heavenly Body: If I’m the Bottle You’re the Message"

Ano: 2026

Selo: Chemical X / Mad Decent

Gênero: Art Pop

Para quem gosta de: FKA Twigs e Kelela

Ouça: Paradise Rains e Wasp In The Fig

7.6
7.6

Eartheater: “Heavenly Body: If I’m the Bottle You’re the Message”

Ano: 2026

Selo: Chemical X / Mad Decent

Gênero: Art Pop

Para quem gosta de: FKA Twigs e Kelela

Ouça: Paradise Rains e Wasp In The Fig

/ Por: Cleber Facchi 24/08/2026

Durante anos, Alexandra Drewchin, a Eartheater, se escondeu atrás de vozes processadas, ambientações e efeitos que contribuíram para a construção da personagem quase alienígena da produtora, compositora e cantora norte-americana. Mesmo a identidade visual e os ensaios fotográficos de suas obras exploravam o uso fantasioso das imagens, como se a artista mantivesse um proposital distanciamento da própria criação.

Com a chegada de Heavenly Body: If I’m the Bottle You’re the Message (2026), sexto e mais recente trabalho de estúdio da cantora, Drewchin continua a investir em uma abordagem pouco convencional, contudo pela primeira vez se revela por completo. Da exposição do próprio corpo logo na imagem de capa à clareza dos versos e vozes, Eartheater assume uma postura completamente diferente em relação aos antigos trabalhos.

E isso tem um motivo. Concebido enquanto lidava com a gestação da primeira filha, Nova, Heavenly Body funciona como um registro quase documental do processo de gravidez da artista. São canções que tratam sobre as transformações físicas e emocionais vividas por Drewchin, as dores do parto e os primeiros meses como mãe. Um delicado exercício de exposição que evidencia a entrega e potência criativa da cantora.

É como se, a partir do nascimento da filha, a musicista fizesse as pazes com o próprio passado, rompendo ciclos e abrindo passagem para uma nova fase da vida. “O paraíso chove sobre o que antes era o inferno / Meu bem, estou em casa, meu fantasma em seu invólucro”, canta em Paradise Rains, música que sintetiza parte do processo de transformação emocional vivido por Drewchin durante toda a execução do material.

Embora parta de um conceito criativo bastante particular, Heavenly Body em nenhum momento soa como uma obra inacessível. Pelo contrário, poucas vezes antes a artista pareceu dialogar de maneira tão natural com o ouvinte. A própria decisão em trabalhar com Dave Sitek como produtor do álbum e colaborar com Oklou em Fast Asleep destaca o esforço de Drewchin em criar laços e construir relações ao longo do disco.

Apesar do esforço em testar novas possibilidades líricas e temáticas, Heavenly Body não oferece grandes rupturas sonoras em relação aos últimos trabalhos da cantora. Salvo exceções, como o diálogo com o trip-hop, em Crown Jewel, e as batidas destacadas de Wasp In the Fig, o registro segue de onde a artista parou em Powders (2023). Uma obra que prioriza a maturidade emocional, porém se esquiva de maiores riscos.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.