Ano: 2026
Selo: Balaclava Records
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Lupe de Lupe e Gorduratrans
Ouça: Desde Que Eu Morri, Nenhum Carma e Urge
Ano: 2026
Selo: Balaclava Records
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Lupe de Lupe e Gorduratrans
Ouça: Desde Que Eu Morri, Nenhum Carma e Urge
Apesar do longo período de hiato, o som da Ludovic permaneceu vivo. De Lupe de Lupe a gorduratrans, de eliminadorzinho a Menores Atos, sobram projetos que estabeleceram no trabalho do grupo paulistano uma importante fonte de inspiração. Mesmo em carreira solo, Jair Naves sempre encontrou formas de resgatar a ferocidade da antiga banda, regressando em sempre disputadas apresentações ao vivo e até faixas inéditas.
Ainda que todas essas movimentações tenham mantido as chamas do projeto bastante acesas, nada parece capaz de preparar o ouvinte para o impacto que é o encontro com o primeiro disco de inéditas da Ludovic em duas décadas. Autointitulado, o material não apenas resgata a essência dos antigos registros da banda, Servil (2004) e Idioma Morto (2006), como eleva o estilo de produção e a mensagem trabalhada nas letras.
Hoje, acompanhado de Eduardo Praça (guitarra), Zeek Underwood (guitarra) e Rodrigo Montorso (bateria), Naves, que se reveza no baixo, violão e sintetizadores, traz de volta o que há de mais característico no som da Ludovic. São canções urgentes e densas, sempre encorpadas pela construção de versos que equilibram conflitos pessoais, relacionamentos instáveis e momentos de maior fragilidade que dialogam com o ouvinte.
“Eu me agarrei à decisão / Por mais um dia existir / E me mantive vivo por um triz”, confessa Naves logo nos minutos iniciais, em Desde Que Eu Morri, música que aponta o caminho para o restante da obra. Claro que essa urgência e força poética, também explícita em faixas como Dilúvio de Dinheiro Algum e Pedestal, não interfere na entrega de canções como a contida Irmã Pólvora, ampliando o campo de atuação da Ludovic.
Entretanto, a principal diferença em relação aos antigos trabalhos da banda está no trato dos instrumentos. Sem necessariamente comprometer a crueza da Ludovic, Fernando Sanches, responsável pela produção e mixagem da obra, concede destaque a cada mínimo elemento. Das guitarras que cheiram a Sonic Youth, em Nenhum Carma, às ambientações etéreas de Urge, sobram momentos em que o quarteto cresce em estúdio.
Dessa forma, mesmo que o registro não ofereça grandes rupturas estéticas em relação aos trabalhos que o antecedem, a maneira como o grupo se aprofunda dentro do próprio território concede beleza ao disco. É como se a banda substituísse a fúria punk que marca as primeiras empreitadas em estúdio por uma obra cada vez mais equilibrada e madura, porém tão provocativa e ainda visceral quanto em seus anos iniciais.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.