Ano: 2026
Selo: Mexican Summer
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: KeiyaA e Mabe Fratti
Ouça: Souless Cycle, Borderline e Elmyra
Ano: 2026
Selo: Mexican Summer
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: KeiyaA e Mabe Fratti
Ouça: Souless Cycle, Borderline e Elmyra
Fata Morgana é um fenômeno óptico e atmosférico que faz com que navios, ilhas e outros objetos no meio do mar pareçam flutuar, criando um tipo de miragem que há séculos fascina navegadores. Vem justamente desse conceito de ilusão temporária e confusão sensorial que borra limites entre gêneros o estímulo para o repertório montado por Taja Cheek para o quarto e mais recente álbum de estúdio da artista como L’Rain.
Sequência ao material entregue em I Killed Your Dog (2023), registro que já indicava a busca da artista por um repertório cada vez mais fragmentado, Fata Morgana revela o interesse de Cheek pelo etéreo. São faixas que incorporam elementos de rock psicodélico, soul e música eletrônica, porém partindo de uma proposta essencialmente disforme, algo que ela mesma categoriza como “não jazz” na hora de classificar suas obras.
E isso fica bastante evidente durante toda a primeira metade do trabalho. Da captação falha em Rumors Of Light, passando pela instrumentação submersa em canções como Blue, perceba como Cheek parece mais interessada em ocultar informações do que necessariamente dialogar com o ouvinte. É como se cada nova composição levasse o disco para uma direção diferente, ampliando os limites da artista dentro de estúdio.
Entretanto, sempre que começa a se perder em meio a improvisos e bases delirantes, Cheek regressa com alguma canção em que melhor organiza suas ideias. A própria sequência formada por Borderline e Elmyra, no miolo do disco, funciona como uma clara representação desse resultado. Os experimentos e abstrações da musicista ainda estão presentes, porém pontuados por vozes decifráveis, batidas e melodias hipnóticas.
Embora parta de uma abordagem equilibrada, é quando se entrega ao improvável que Cheek garante ao público algumas das melhores faixas do disco. Em Soulless Cycle, por exemplo, são guitarras e distorções sujas que aproximam a musicista do rock psicodélico dos anos 1970. Já em July 5th, com participação do artista jamaicano Screechy Dan, é o inusitado diálogo com o dancehall que captura a atenção do ouvinte.
Ainda que esse caráter exploratório tenha seus riscos, com Cheek investindo em faixas que mais parecem fragmentos de ideias, como No Body / Know Body e I Remember, a abordagem provocativa da musicista é justamente o que concede força ao material. Mesmo quando facilita para o ouvinte, como na base gospel de Birthday, há sempre uma contraparte ou quebra estrutural que continua a tensionar a audição do trabalho.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.