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Crítica

Twisted Teens

: "Florida Water Blues"

Ano: 2026

Selo: Going Underground Records

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Sharp Pins e MJ Lenderman

Ouça: Riding e Top Of The World Hwy No. 2

7.8
7.8

Twisted Teens: “Florida Water Blues”

Ano: 2026

Selo: Going Underground Records

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Sharp Pins e MJ Lenderman

Ouça: Riding e Top Of The World Hwy No. 2

/ Por: Cleber Facchi 31/08/2026

Caspian Honeywell e RJ Santos nem esperaram Blame The Clown (2026) esfriar e já estão de volta com um novo trabalho de estúdio do Twisted Teens, Florida Water Blues (2026). Sequência ao material entregue há poucos meses, o registro usa dessa aceleração como estímulo para o material. São canções essencialmente curtas, caóticas e urgentes, destacando a completa ferocidade da dupla de Nova Orleans dentro de estúdio.

A própria escolha em inaugurar o disco com Why Did You Miss It? funciona como uma boa representação de tudo aquilo que a dupla busca desenvolver ao longo do registro. Enquanto as guitarras se entrelaçam de forma insana, resgatando o rock sujo dos anos 1970, batidas toscamente encaixadas, ruídos e vozes ásperas de Honeywell seguem exatamente de onde os dois artistas pararam há poucos meses, em Blame the Clown.

Ainda que Florida Water Blues pouco acrescente em relação aos trabalhos anteriores da banda, incluindo o homônimo álbum de estreia, a potência da dupla em estúdio e o lirismo torto de Honeywell compensam possíveis deficiências. Da dançarina frustrada que invade os versos de Dancer, passando pela declaração de amor à Louisiana, em Swamp, cada nova composição explora uma narrativa ou personagem diferente.

Entretanto, é quando se entrega à melancolia dos versos, como em Hand me a cigarette, que os dois artistas garantem algumas de suas melhores composições. “O caminho mais difícil é o seu próprio caminho”, canta Honeywell, enquanto a guitarra de Santos reforça a dramaticidade da canção. É justamente essa dimensão emocional que torna o disco interessante, com a dupla ampliando o que havia iniciado no registro anterior.

Claro que essa busca por um repertório contemplativo não interfere na entrega de canções festivas e bem-humoradas, marca dos antigos trabalhos da banda. Exemplo disso fica bastante evidente em Top Of The World Hwy No. 2, faixa que retrata uma divertida viagem de carro por uma estrada esburacada e caótica. A mesma fluidez se percebe em outros momentos do registro, como em Riding e na própria música-título.

Sobrevive nessa abordagem equilibrada o grande charme do repertório montado para Florida Water Blues. Mesmo pouco transgressor em relação aos trabalhos que o antecedem, o registro funciona como um claro exercício criativo para Honeywell e Santos. Canções que partem do velho rock empoeirado que apresentou a dupla, porém incorporam diferentes perspectivas, temáticas e vivências de maneira bastante particular.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.