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Crítica

Hesse Kassel

: "Morir Saltando"

Ano: 2026

Selo: Amuleto

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Candelabro e Black Midi

Ouça: Pornomiseria, El Reflejo e Tulpa

8.0
8.0

Hesse Kassel: “Morir Saltando”

Ano: 2026

Selo: Amuleto

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Candelabro e Black Midi

Ouça: Pornomiseria, El Reflejo e Tulpa

/ Por: Cleber Facchi 01/09/2026

Os quase 15 minutos de Pornomiseria, faixa de abertura em Morir Saltando (2026), são fundamentais para entender aquilo que os chilenos do Hesse Kassel buscam desenvolver no segundo trabalho de estúdio da carreira. Enquanto os versos satirizam o discurso político da direita, arranjos jazzísticos transcendem tudo aquilo que o sexteto havia explorado há poucos meses, durante a produção do introdutório La Brea (2025).

É como se o grupo deixasse de lado as similaridades e o criativo diálogo com a obra de estrangeiros como Black Midi e Black Country, New Road para seguir uma trilha ainda mais exploratória. O próprio flerte com o pós-hardcore, na posterior No Me Puedo Relajar, torna isso ainda mais claro, com Renatto Olivares e seus companheiros de banda ampliando propositadamente o próprio campo de atuação no decorrer do álbum.

Claro que esse esforço em se reinventar em estúdio não interfere na entrega de composições ainda íntimas do disco anterior. A própria El reflejo, com seus sopros e versos declamados, torna isso bastante explícito. A diferença em relação ao repertório de La Brea está na forma como o grupo acentua o forte discurso político e a complexidade dos temas instrumentais em faixas cada vez mais longas, densas e sempre provocativas.

Mesmo quando o grupo investe em uma abordagem mais tradicional, como em Mariposa, o lirismo atento de Olivares compensa possíveis falhas. “Qual o sentido de um grito se ele se dirige ao vazio?”, questiona a letra da canção, que ainda se aprofunda em temas como a arte de preservar a dignidade humana diante de um nacionalismo capaz de instrumentalizar tudo em benefício do Estado, conceito recorrente no trabalho.

São canções que combinam conflitos políticos, caos urbano e crises emocionais, fazendo do próprio corpo um instrumento de revolução. “Eles latem, Sancho, estamos passando”, martela Olivares em Sancho Plagio. Inspirada pelos textos de Miguel de Cervantes e os delírios do personagem Don Quixote, a faixa reafirma o domínio criativo e profundidade do sexteto chileno, mesmo na entrega de composições curtas e imediatas.

É como se o grupo encontrasse sempre um novo ponto de ruptura, conceito que se reflete até a chegada de Tulpa, no encerramento do trabalho. Composições que ampliam o que o sexteto testou há poucos meses e até confessam novas referências, porém sustentam na força política da mensagem e no olhar atento sobre o atual cenário chileno, governado pela extrema direita, o principal estímulo para a construção das canções.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.