Ano: 2026
Selo: Island
Gênero: Rock, Soul
Para quem gosta de: Black Pumas e Leon Bridges
Ouça: I Feel Hope Coming e Another Life
Ano: 2026
Selo: Island
Gênero: Rock, Soul
Para quem gosta de: Black Pumas e Leon Bridges
Ouça: I Feel Hope Coming e Another Life
Ouvir I Must Be Dreaming (2026, Island), primeiro registro de inéditas do Alabama Shakes em onze anos, é como regressar à casa dos pais depois de ter um lugar só seu. O sentimento ainda está presente, entretanto a sensação já não é mais a mesma. E se lembrarmos que foi longe de casa, já em carreira solo, que Brittany Howard produziu seus melhores trabalhos, Jaime (2019) e What Now (2024), isso fica ainda mais evidente.
Sequência ao material entregue em Sound & Colour (2015), o trabalho produzido em parceria com Shawn Everett é exatamente aquilo que você poderia esperar de um disco do Alabama Shakes. São composições que transitam entre o soul e o rock psicodélico, abrem espaço para as vozes impecáveis de Howard e se completam pela instrumentação atenta assinada pela cantora e pelos músicos Zac Cockrell e Heath Fogg.
A questão é que I Must Be Dreaming nunca vai além disso, com o trio de Athens dando voltas em torno de um repertório confortavelmente amparado em conceitos que vêm sendo testados desde a estreia com Boys & Girls (2012). Falta ao disco a mesma sensação de ineditismo e surpresa que Howard conseguiu gerar em seus álbuns em carreira solo ou mesmo quando se aventura pelas composições do paralelo Thunderbitch.
Outro problema em relação ao trabalho diz respeito ao ritmo do material. Com o desligamento do baterista Steve Johnson, o grupo decidiu investir em uma abordagem mais atmosférica e contida, destacando ainda mais o uso dos sintetizadores já incorporados no trabalho anterior. Faltam momentos de maior urgência e contraste, equilíbrio alcançado pela banda no ziguezaguear de ideias que reverberam em Sound & Colour.
Não por acaso, prevalece nos momentos em que a banda mais se distancia desse direcionamento moroso o estímulo para algumas das melhores faixas do disco. Em Time, por exemplo, são as guitarras que invadem a segunda metade da canção. Já em Another Life, logo na abertura do álbum, é a base funkeada, a percussão adicional e as vozes sempre destacadas de Howard que escancaram a potência criativa do trio em estúdio.
Ainda que tudo isso se limite a momentos, com o trio investindo em uma obra contida, prevalece em I Must Be Dreaming o esmero e o domínio técnico durante toda a execução do material. Difícil ouvir músicas como I Feel Hope Coming e American Dream e não ser envolvido pelo grupo, prova de que, mesmo nos instantes de maior retração criativa, o Alabama Shakes mantém firme o comprometimento com o próprio trabalho.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.