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Crítica

DJ Urutau

: "Ornitofagia"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Eletrônica, Experimental

Para quem gosta de: DJ K e Los Thuthanaka

Ouça: Engoli um Bem-te-vi (Na Onda do El Niño) e Pólen

7.5
7.5

DJ Urutau: “Ornitofagia”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Eletrônica, Experimental

Para quem gosta de: DJ K e Los Thuthanaka

Ouça: Engoli um Bem-te-vi (Na Onda do El Niño) e Pólen

/ Por: Cleber Facchi 24/09/2026

Desde que iniciou as atividades do Antropoceno, Lua Viana tem investido cada vez mais em registros que tratam da temática ecológica e da pauta indígena como parte substancial do próprio trabalho. Foi assim com o ainda recente No Ritmo da Terra (2026), entregue há poucos meses, mas fica ainda mais explícito com a chegada de Ornitofagia (2026), primeiro álbum da musicista carioca sob a alcunha de DJ Urutau.

Partindo do desequilíbrio ambiental que leva animais a mudarem seus hábitos, Viana cria a narrativa de uma ave inofensiva, o urutau, que enlouquece e devora um pássaro territorialista, o bem-te-vi. Com base nessa estrutura, a artista mergulha em conceitos do funk bruxaria, como o tuim e trechos de programas policiais, porém substituindo a temática urbana por uma atmosfera florestal, orgânica e pré-apocalíptica.

As batidas eletrônicas, ruídos sintéticos e bases cíclicas, típicas do funk bruxaria, estão presentes durante toda a execução do trabalho, a diferença está na maneira como Viana incorpora cantos de pássaros como principal componente melódico do disco. A própria MC Uirapuru, logo na abertura do registro, funciona como uma boa representação de tudo aquilo que a artista carioca busca incorporar ao longo do material.

Entretanto, é quanto mais se afasta das estruturas tradicionais do gênero que a artista garante ao público algumas das melhores faixas do disco. É o caso de Engoli um Bem-te-vi (Na Onda do El Niño), música que intensifica a construção das batidas, fragmenta a construção das bases e incorpora momentos ritualísticos que soam como um remix torto de tudo aquilo que Viana havia testado nas canções de No Ritmo da Terra.

Surgem ainda composições curiosas. É o caso de Pólen e Planeta Aves, sequência que aproxima Viana do etéreo, lembrando as sobreposições sonoras de nomes como Panda Bear. Esse mesmo caráter exploratório fica ainda mais evidente em Conversión, música que deixa o funk em segundo plano para dialogar com os ritmos latinos, proposta que parece apontar para a obra dos irmãos Crampton no projeto Los Thuthanaka.

Apesar desses momentos de maior experimentação, muitas das composições, como Baile das Calopsitas e a já citada MC Uirapuru, incorporam elementos bastante tradicionais do funk bruxaria, beirando o caricato. É como se a força do trabalho de Viana residisse justamente na capacidade da artista em corromper aquilo que a norteia, proposta que transcende a obra da musicista como DJ Urutau e se estende a outros projetos.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.