Ano: 2026
Selo: 604 / Schoolboy / Interscope
Gênero: Pop
Para quem gosta de: Robyn e Kylie Minogue
Ouça: Motivation, On Wires e Amalfi Coast
Ano: 2026
Selo: 604 / Schoolboy / Interscope
Gênero: Pop
Para quem gosta de: Robyn e Kylie Minogue
Ouça: Motivation, On Wires e Amalfi Coast
Ainda que Day and Night (2026) seja o primeiro disco duplo de Carly Rae Jepsen, a cantora e compositora canadense sempre soube como lidar com os excessos. Passado o lançamento do cultuado Emotion (2015), a artista retornou com Emotion: Side B (2016), dobradinha replicada em Dedicated (2019) e Dedicated Side B (2020), além, claro, da entrega dos complementares The Loneliest time (2022) e The Loveliest Time (2023).
Livre da abordagem derivativa dos registros anteriores, Day and Night se articula como uma obra fechada que se divide em duas metades bastante claras. Com After All como música escolhida para inaugurar esse primeiro bloco de canções, Jepsen aponta a direção para o conjunto inicial do disco. São faixas diurnas que transitam entre o pop dos anos 1970 e 1980, reforçando o teor nostálgico que embala o trabalho da artista.
Claro que isso não impede Jepsen de percorrer outros caminhos, como na inusitada combinação de estilos em Versailles ou no acabamento acústico de Wild Child. Ainda assim, prevalece em Day a entrega de faixas românticas como On Wires, composição que substitui a euforia adolescente dos trabalhos anteriores por versos que agora tratam de maneira madura sobre a possibilidade de transformar paixão em estabilidade.
Com a chegada da extensa Never Let a Good Thing Die, a sobriedade dos versos permanece, mas a direção explorada pela cantora passa a ser outra. Marcada pela atmosfera noturna, a segunda metade do trabalho aproxima a artista das pistas. Do uso calculado das batidas ao fino acabamento instrumental, difícil não se deixar conduzir pelo repertório que abandona o toque retrô da porção anterior e dialoga com o presente.
Enquanto músicas como You Don’t Know How It Feels e Amalfi Coast fascinam pelo minimalismo, outras, como Motivation e Don’t Leave Me On The Dance Floor, aproximam a artista do pop sem necessariamente romper com as pistas. É como se Jepsen seguisse de onde parou na dançante Psychedelic Switch, porém incorporando outras possibilidades e diferentes interpretações dentro de um mesmo universo temático.
Apesar de consistentes e repletas de faixas inescapáveis, nenhuma das duas metades do trabalho justifica a produção de um registro duplo. Tanto Day como Night perdem força na porção final, tornando o conjunto disperso. São pequenos excessos que contribuem para a irregularidade do repertório, mas em nenhum momento ocultam a capacidade de Jepsen em gerar boas canções a partir de emoções sempre genuínas.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.