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Crítica

Empress Of

: "Dream House"

Ano: 2026

Selo: Major Arcana / Giant

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Caroline Polachek e Sky Ferreira

Ouça: SYW, Blue Light e Dream House

7.0
7.0

Empress Of: “Dream House”

Ano: 2026

Selo: Major Arcana / Giant

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Caroline Polachek e Sky Ferreira

Ouça: SYW, Blue Light e Dream House

/ Por: Cleber Facchi 08/10/2026

Loreley Rodriguez foi uma das milhares de pessoas que, em janeiro de 2025, tiveram suas vidas afetada por conta do incêndio que tomou conta da região metropolitana de Los Angeles, na Califórnia. Desabrigada, a artista norte-americana encontrou nessa relação física e metafórica com o lar o estímulo para o repertório montado para o quinto e mais recente álbum de estúdio como Empress Of, o agridoce Dream House (2026).

Apesar do contexto melancólico, o sucessor de For Your Consideration (2024) jamais pesa sobre o ouvinte. Enquanto os versos destacam a dor sentida pela artista durante esse período de incertezas, bases etéreas e batidas calculadas garantem fluidez ao repertório, que ainda conta com trechos de áudios de Reyna Dubon, mãe da cantora. É como se Rodriguez rompesse com as pistas, conceito que vem sendo explorado desde o disco I’m Your Empress Of (2020), para mergulhar em um universo ainda mais sensível, tocante e intimista.

“Estou de joelhos / Não sei com quem estou falando / Eu oro por você”, canta a artista em Pray 4 You, faixa que sintetiza essa mudança de direção adotada por Rodriguez. Enquanto os versos tratam de fé e proteção, melodias delicadas e batidas reducionistas orientam o trabalho da cantora. Em geral, são músicas curtas e econômicas, porém bastante sensíveis, destacando o forte caráter emocional depositado pela compositora.

Embora parta de uma abordagem delicada, conceito que se reflete até a chegada da derradeira faixa-título, Rodriguez cria pequenos pontos de diálogo com os trabalhos anteriores. Exemplo disso pode ser percebido em SYW. Concebida em parceria com a canadense Cecile Believe, a composição aproxima Empress Of das pistas sem necessariamente romper com a atmosfera enevoada e o lirismo acolhedor que move o registro.

Sobrevive nesse equilíbrio de forças a real beleza do repertório montado por Rodriguez. Enquanto músicas HandsOn destacam o lado ensolarado do álbum, outras, como Blue Light, refletem a melancolia de registro. Completa pela participação de Blood Orange, parceiro de longa data da artista, a composição evidencia a capacidade da cantora em fazer muito com pouco, estreitando laços com o ouvinte de maneira delicada.

Marcado pela temática da reconstrução e pelo criativo diálogo com diferentes parceiros em estúdio, como Stella Mozgawa, Jessy Lanza e Dave Sitek, Dream House se revela como um registro tão íntimo de Rodriguez quanto colaborativo. Ainda que o disco não ofereça grandes transformações em relação aos lançamentos anteriores, a maneira como a artista organiza suas ideias, estreita laços e deposita seus sentimentos dentro de cada canção torna o processo de audição do trabalho um dos mais sensíveis e honestos de Empress Of.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.