Ano: 2026
Selo: YB Music
Gênero: MPB, Indie Pop
Para quem gosta de: Tori e Momobjó
Ouça: Outras Vezes e Conselhos de Jards
Ano: 2026
Selo: YB Music
Gênero: MPB, Indie Pop
Para quem gosta de: Tori e Momobjó
Ouça: Outras Vezes e Conselhos de Jards
Lulina não poderia ter pensado em um título melhor para Sinuosa (2026, YB Music). Primeiro trabalho de inéditas em carreira solo após um intervalo de sete anos, o sucessor de Desfaz de Conta (2019) mostra uma artista interessada em se aventurar pelos caminhos inesperados que a vida oferece. São composições que transitam por diferentes estilos, temas e parceiros criativos, destacando o caráter exploratório da cantora.
Parte desse resultado vem do próprio processo de criação do trabalho. Habituada a fazer tudo de maneira solitária, a compositora decidiu investir em uma abordagem diferente, dividindo as canções do disco entre produtores vindos dos mais variados campos da música brasileira. O resultado desse processo criativo está na entrega de um álbum diverso e dinâmico, mas que em nenhum momento sufoca a identidade da artista.
E não poderia ser diferente. Acostumada a criar minhocas na cabeça e lidar com os diferentes nós da vida, Lulina mais uma vez se aprofunda na construção de composições que partem de tormentos pessoais para dialogar com o ouvinte. Em geral, são observações simples sobre o nosso cotidiano, mas que ganham novas tonalidades ao serem filtradas pelos conflitos existenciais, dores e sentimentos vividos pela pernambucana.
A própria escolha de inaugurar o trabalho com Outras Vezes, parceria com Ana Frango Elétrico, sintetiza parte desse lirismo inquietante que move o registro. “Às vezes em dobro, outras vezes um terço / Às vezes tesouro, outras vezes esterco”, reforça a letra da canção. Essa mesma multiplicidade acaba se refletindo na base instrumental do disco, com Lulina e seus parceiros indo de um canto a outro de forma sempre curiosa.
Enquanto faixas como Gota serena, produzida por Marcelo Cabral, e Corria ou não, junto de Mariá Portugal, destacam o experimentalismo da artista, o restante do álbum se aprofunda em ritmos regionais e canções ainda íntimas dos antigos trabalhos da cantora. Nada que diminua o impacto de faixas como a reducionista Conselhos de Jards, composição que acerta ao escancarar a riqueza poética e a vulnerabilidade de Lulina.
Conceitualmente diverso, ainda que conciso, Sinuosa percorre o caminho apontado pela artista sem jamais sair da estrada. São composições que arriscam momentos de maior transgressão, mas nunca se afastam do território que vem sendo explorado desde a estreia da musicista pernambucana com Cristalina (2009). Um exercício tão particular quanto compartilhado, como se os tormentos de Lulina fossem também os nossos.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.