Ano: 2026
Selo: Rough Trade
Gênero: Rock, Noise Rock
Para quem gosta de: YHWH Nailgun e Model/Actriz
Ouça: Alogia, Placeholder e Giraffe
Ano: 2026
Selo: Rough Trade
Gênero: Rock, Noise Rock
Para quem gosta de: YHWH Nailgun e Model/Actriz
Ouça: Alogia, Placeholder e Giraffe
Transformar desconforto em linguagem sonora tem sido o principal pilar criativo do quarteto irlandês Gilla Band. Da estreia com Holding Hands With Jamie (2025), passando por registros como The Talkies (2019) e Most Normal (2022), sobram momentos em que o grupo formado por Dara Kiely, Alan Duggan, Daniel Fox e Adam Faulkner busca tensionar a experiência do ouvinte por meio de ruídos, arranjos tortos e distorções.
Com a chegada de Pugnello (2026), quarto e mais recente álbum do grupo, todos esses elementos voltam a orientar o trabalho da banda, porém partindo de um novo direcionamento estético. Se em Most Normal as canções pareciam pesar sobre o ouvinte, com o presente disco o quarteto irlandês vai além, investindo em um repertório marcado pela fluidez rítmica, pelo groove e pelo humor cada vez mais provocativo de Kiely.
Em Alogia, por exemplo, é difícil não se deixar seduzir pela linha de baixo suculenta que passeia em meio a versos que tratam sobre o recente laudo de esquizofrenia de Kiely. São letras sempre confessionais, ainda que pontuadas por momentos de autoironia e bom humor que aliviam as tensões do trabalho. Um misto de caos pessoal e desordem instrumental, mas que nunca foge ao controle criativo do grupo dentro de estúdio.
Esse equilíbrio garante ao grupo a possibilidade de se desafiar a cada nova composição, porém mantendo sempre a fluidez dos elementos e a capacidade de dialogar com o público. Em Placeholder, na abertura do trabalho, é a bateria hipnótica que captura a atenção do ouvinte logo nos minutos iniciais. Já em Giraffe, na porção final da obra, são as bases distorcidas e a maior aproximação com as pistas que orientam a banda.
Embora parta de uma abordagem acessível em relação aos antigos trabalhos da banda, Pugnello mantém firme o caráter exploratório e os momentos de maior experimentação do quarteto. Exemplo disso pode ser percebido em The Megazord, faixa soterrada em meio a ruídos e vozes berradas de Kiely. A própria Crisp Pop, com mais de sete minutos, é outra que fascina pelo som torto e a intensa desconstrução dos elementos.
Sobrevive nessa ausência de certeza e no caos orquestrado a grande beleza do repertório concebido para Pugnello. Ainda que muitas das ideias e conceitos líricos do disco pareçam soterrados em meio a camadas de ruídos e instantes de profunda experimentação, a forma como o grupo organiza e corrompe a própria criação torna a audição do registro tão inquietante quanto as experiências sensoriais que Kiely descreve.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.