Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Experimental, Jazz
Para quem gosta de: Hurtmold e ruído/mm
Ouça: Ambiência Vol. II e Ambiência Vol. XI
Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Experimental, Jazz
Para quem gosta de: Hurtmold e ruído/mm
Ouça: Ambiência Vol. II e Ambiência Vol. XI
Das playlists corporativas no Spotify às transmissões 24 horas por dia no YouTube, a música ambiente se transformou em uma ferramenta subserviente ao capitalismo no decorrer da última década. São criações frias que, longe da proposta original de compor o espaço em que estavam inseridas, foram moldadas para atender a interesses mercadológicos, contribuindo com a lógica da produtividade incansável e robotizada.
É justamente contra esse modelo que os integrantes do Nigeria Futebol Clube orientam as composições de Ambient Jazz (2026). Mais recente trabalho de estúdio do grupo formado por Raphael Conceição, Rodrigo Silva, Eduardo Rocha e Derick Barbosa, o registro deixa de lado a abordagem paisagística do estilo em sua fase recente para investir em um material que, mesmo atmosférico, reflete o caráter provocativo da banda.
Com mais de três horas de duração, Ambiente Jazz cresce na força do coletivo. Enquanto os integrantes do quarteto sacrificaram seus empregos e passaram a atuar com bicicletas em aplicativos de entrega para mergulhar em um processo criativo no Estúdio Sem Piscina, em São Paulo, outros colaboradores surgem e desaparecem ao longo da obra. São pelo menos 38 músicos envolvidos no processo de criação do trabalho.
E essa pluralidade se reflete durante toda a execução do trabalho. São instrumentos de sopro, retalhos de vozes, arranjos complementares e harmonias etéreas que ampliam tudo aquilo que a banda havia testado no ainda recente Entre Quatro Paredes (2025). É como se o grupo seguisse a cartilha colaboracionista de projetos como Godspeed You! Black Emperor, porém preservando a própria identidade criativa em estúdio.
Ainda que algumas composições trilhem um percurso excessivamente abstrato, dispersando a atenção do ouvinte, como em Ambiência Vol. IV – Ritmo Circadiano De Uma Caixa Preta, o encantamento do grupo se mantém firme na maior parte do tempo. Enquanto músicas como Ambiência Vol. VI – Pedras Preciosas & Jóias Raras e Ambiência Vol. XI – Marguerita destacam o lado sensível da banda, outras, como Ambiência Vol. VII – Dylan Raider, reforçam o lado político e as tensões que orientam o repertório do quarteto paulista.
A própria sequência de abertura, com mais de 50 minutos de duração espalhados entre Ambiência Vol. II – Do Manoel Feio Até A Vila Madalena e Ambiência Vol. III – A Sensação De Ver O Sol Nascendo Na Estação Do Brás Depois De Virar A Noite Nas Ruas, sintetiza essa riqueza de ideias que movimenta o projeto. Um meticuloso desvendar de sensações que exige e gratifica a experiência do ouvinte na mesma intensidade.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.