Ano: 2026
Selo: SoundFood Gang
Gênero: Rap
Para quem gosta de: Rodrigo Ogi e Kamau
Ouça: Vamos Pro Mar, A Carta e Mais Alto
Ano: 2026
Selo: SoundFood Gang
Gênero: Rap
Para quem gosta de: Rodrigo Ogi e Kamau
Ouça: Vamos Pro Mar, A Carta e Mais Alto
Com o título de Sobre Heróis, Castelos e Viagens No Tempo (2026), Nill deixa bastante claro o direcional temático do mais recente álbum em carreira solo. A partir de um novo personagem, o viajante do tempo Mountalk, o rapper e produtor paulista combina passado, presente e futuro em um registro que analisa de maneira metafórica aspectos pessoais como as relações familiares, antigas amizades e romances incertos.
Mesmo que a narrativa do disco pareça bastante confusa e frágil, reverberando vez ou outra em retalhos de samples espalhados ao longo da obra, os sentimentos e as intenções de Nill são claras. Assim como em O Resgate do Maestro (2023), o rapper se aprofunda em questões emocionais de forma sensível, utilizando componentes figurativos, por vezes lúdicos e até relacionados à cultura pop, para dialogar com o ouvinte.
Exemplo disso fica bastante evidente em Vamos Pro Mar. Com versos inspirados no personagem Monkey D. Luffy, capitão do bando dos Chapéus de Palha e protagonista de One Piece, de Eiichiro Oda, a composição usa desse suporte conceitual para falar sobre companheirismo, jornada e amizade de forma inspiradora. É como se Nill, mesmo protegido por pequenos artifícios líricos, se revelasse por completo ao longo da obra.
Ainda assim, é quando mais se distancia desses subterfúgios que o rapper garante ao público algumas de suas melhores canções. Em A Carta, por exemplo, é difícil não se deixar conduzir pela narrativa nostálgica que faz do artista uma ponte temporal entre as memórias de um velho amigo e o distanciamento imposto pela vida adulta. São fragmentos emocionais que resgatam a essência do também doloroso Regina (2017).
Embora parta de uma proposta criativa bastante pessoal, interessante perceber em Sobre Heróis, Castelos e Viagens no Tempo um dos registros mais colaborativos de Nill. Durante toda a execução do álbum, nomes como CESRV, Clara Lima, Alt Niss e Fleezus surgem e desaparecem entre as canções. Ainda que algumas das músicas pareçam pertencer mais aos convidados do que ao próprio rapper, como em Gata Joga Fora o Vape, com Maui, o equilíbrio de forças e o núcleo temático do trabalho prevalece na maior parte do tempo.
O principal ponto de atrito acaba ficando por conta da base instrumental do disco. Embora bem produzido, como tudo aquilo que o rapper tem explorado desde o começo da carreira, o álbum não apresenta grandes transformações em relação aos antigos registros do artista, algo que poderia ser melhor aproveitado dentro da própria narrativa temporal da obra, como se Nill tirasse pouco proveito daquilo que ele mesmo criou.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.