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Críticas

Clara Ribeiro

: "Outras Ondas, Mesmas Cores"

Ano: 2026

Selo: DeckDisc

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Karen Francis e Melly

Ouça: Não Lembro Seu Nome e Mar Azul

7.9
7.9

Clara Ribeiro: “Outras Ondas, Mesmas Cores”

Ano: 2026

Selo: DeckDisc

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Karen Francis e Melly

Ouça: Não Lembro Seu Nome e Mar Azul

/ Por: Cleber Facchi 29/10/2026

Cada novo trabalho apresentado por Clara Ribeiro é um exercício de exploração. Se em Amor Para Além do Atlântico Sul (2025) a cantora e compositora carioca transitava entre o R&B e a MPB, com a chegada de Desabafos (2025), meses mais tarde, elementos de reggae dialogavam com o drum and bass. São registros marcados pelas possibilidades, conceito que se amplia ainda mais em Outras Ondas, Mesmas Cores (2026).

Orientado às pistas, o registro de oito canções destaca a capacidade de Ribeiro em confessar sentimentos enquanto passeia em meio a batidas rápidas que transitam entre o UK Garage, o grime e outros campos da música eletrônica. A própria escolha de inaugurar o trabalho com Não Lembro Seu Nome funciona como uma boa representação desse resultado, como se a cantora apontasse caminhos para o restante do álbum.

É como se, a cada nova canção, Ribeiro fizesse morada em um gênero diferente. Em Mar Azul, por exemplo, são pitadas de house e elementos de future garage que evocam o trabalho de nomes como Disclosure. Já em Nonchalant, faixa que se completa com participação de Joca, chama a atenção o maior destaque dado às rimas e à relação com o grime, com a artista mergulhando em uma ambientação cada vez mais soturna.

Claro que essa busca por um repertório marcado pela eletrônica não interfere na entrega de faixas ainda íntimas dos antigos registros de Ribeiro. Exemplo disso fica bastante evidente em Porto Seguro, composição que, mesmo adornada por sintetizadores e batidas que lembram All The Stars, de Kendrick Lamar e SZA, preserva as boas melodias e a brasilidade de artista, soando como uma versão remixada por Luedji Luna.

Dentro desse espaço marcado pelas ideias, incontáveis estilos e propostas criativas, Ribeiro aproveita ainda para estreitar laços com diferentes colaboradores. Enquanto alguns, como Taleko e CL Fez o Beat, assumem a produção das faixas, outros brilham na divisão dos vocais. É o caso de Maui, artista que transporta para dentro do disco o mesmo R&B pulsante que marca o repertório do ainda recente Melodia&Barulho (2025).

Mesmo atravessado por diferentes parceiros criativos, produtores e gêneros, Outras Ondas, Mesmas Cores nunca foge do domínio de Ribeiro. São canções que encontram nos temas sentimentais e na íntima entrega da cantora um precioso elemento de amarra. Não se trata de uma obra transgressora, mas de um delicado exercício que revela a habilidade da artista em transitar pelos mais variados estilos sem perder o controle.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.