Ano: 2026
Selo: Transgressive
Gênero: Rock
Para quem gosta de: MJ Lenderman e Wednesday
Ouça: Totaled, Withdrawn e Loser's Prize
Ano: 2026
Selo: Transgressive
Gênero: Rock
Para quem gosta de: MJ Lenderman e Wednesday
Ouça: Totaled, Withdrawn e Loser's Prize
O canto torto, quase desengonçado, de Greg Freeman diz muito sobre a intensidade depositada pelo artista norte-americano em All Set The Bone (2026). Terceiro álbum de estúdio do cantor, compositor e guitarrista de Vermont, o disco destaca a forte carga emocional e a entrega do músico que, mesmo vindo de uma série de grandes trabalhos em estúdio, como I Looked Out (2022) e Burnover (2025), ainda tem muito a oferecer.
Dividido em duas metades não intencionais, o disco sustenta no primeiro bloco de composições o lado mais emocional e emergencial de Freeman. A própria escolha do músico em inaugurar o trabalho com Cahokia funciona como uma boa representação desse resultado. São canções ascendentes, dolorosas e fortes, com o artista mergulhando em meio a versos consumidos pela solidão, pelo álcool e pelas expectativas frustradas.
Apesar dessa aparente crueza, bem representada nas guitarras sujas de músicas como Totaled, All Set The Bone está longe de parecer um álbum rudimentar. Exemplo disso pode ser percebido no fino acabamento de Withdrawn, composição invadida por metais que evocam a obra do Neutral Milk Hotel. Ainda assim, é na maior fluidez de faixas como Indu e Loser’s Prize, invadidas por boas guitarras, que o disco se sustenta.
Passado esse momento de intensa ambientação, Freeman encaminha o registro para o segundo conjunto de canções. Com Hail Mary como marcador, o artista passa a investir em composições cada vez mais densas, imprevisíveis e complexas, lembrando a boa fase de veteranos como Modest Mouse e Built To Spill. Ainda que o trabalho perca parte do fôlego, principalmente nos momentos finais, a entrega do músico prevalece.
É difícil passar por músicas como Marooned, Untitled 10 ou Next To Nothing e não ceder aos versos sempre emocionais e guitarras avassaladoras que potencializam tudo aquilo que o artista havia testado nos álbuns anteriores. A própria composição de encerramento do disco, Bury Me The Shovel, mesmo partindo de um acabamento acústico, destaca a entrega sentimental e capacidade de Freeman em surpreender com pouco.
Regido pelas emoções, All Set The Bone revela um artista vulnerável, ainda que consciente. É como se tudo estivesse prestes a desmoronar, fazendo de pequenos pontos de sustentação racionais a base para o disco. Parte desse resultado pode até vir da produção caprichada do experiente John Congleton, entretanto é na grandeza dos sentimentos e na profunda sensibilidade de Freeman que o trabalho realmente se estabelece.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.