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Crítica

Marina Herlop

: "Dja Dja"

Ano: 2026

Selo: Lapsus Records

Gênero: Art Pop, Experimental

Para quem gosta de: Mabe Fratti e Lucrecia Dalt

Ouça: Vas Volant, Jaque e Bliss

8.3
8.3

Marina Herlop: “Dja Dja”

Ano: 2026

Selo: Lapsus Records

Gênero: Art Pop, Experimental

Para quem gosta de: Mabe Fratti e Lucrecia Dalt

Ouça: Vas Volant, Jaque e Bliss

/ Por: Cleber Facchi 16/10/2026

Publicado em 1949 pelo escritor e mitólogo norte-americano Joseph Campbell, O Herói de Mil Faces discute a teoria da jornada do herói arquetípico, conceito encontrado em diferentes mitologias e culturas ao redor do mundo. São narrativas em que o protagonista parte em uma aventura, é vitorioso em uma crise decisiva e volta para casa mudado, estrutura que se reflete tanto em mitos clássicos como em obras da cultura pop.

Com o trabalho de Campbell como base, a cantora e compositora catalã Marina Herlop se aventura em sua própria jornada em Dja Dja (2026). Concebido em um intervalo de três anos com o auxílio do produtor Adri Goor, o registro mapeia as diferentes etapas da jornada do herói e até segue uma estrutura ascendente, mas jamais soa previsível, como se a musicista abrisse passagem para um território diferente a cada nova faixa.

Assim como no trabalho anterior, Nekkuja (2024), Herlop se articula na criação de músicas essencialmente orgânicas. Dos sintetizadores borbulhantes ao uso instrumental das vozes e batidas sempre imprevisíveis, a beleza de Dja Dja se revela na forma como a musicista passeia por diferentes estilos e complexas estruturas sonoras de maneira fluida, como se cada movimento levasse ao resultado explícito na composição seguinte.

Parte desse resultado vem da escolha de Herlop em trabalhar o disco não como um conjunto de faixas que acompanha as diferentes etapas da jornada do herói, mas como uma única composição que sintetiza essa narrativa. Da escolha dos timbres ao tratamento aplicado aos vocais, perceba como tudo se entrelaça com naturalidade e leveza ao longo da obra. Ainda assim, Dja Dja tem seus momentos de incontestável destaque.

Sempre que entra em atrito e tensiona a própria criação, como em Vas Volant e Jaque, a artista garante ao público algumas de suas melhores composições. São momentos de profunda inquietação e entrega, como se Herlop rompesse com a suavidade dominante do disco. O ápice disso acaba se refletindo em Bliss, faixa que alcança um ponto de equilíbrio entre o experimentalismo e a canção tradicional, elevando o material.

Claro que, até alcançarmos esses instantes de maior comoção do disco, a artista muitas vezes se perde em meio a faixas abstratas, como Thálassa! e You’ve Lost Your Muchnesss, que estendem o trabalho para além do necessário. Entretanto, mesmo nos momentos de menor impacto, o refinamento e a execução precisa da cantora se mantêm, com Herlop dominando todas as etapas da própria jornada criativa com notável beleza.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.