Ano: 2026
Selo: Parlophone
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Nilüfer Yanya e Hemlocke Springs
Ouça: One Song Away From Crying e Broken Chair
Ano: 2026
Selo: Parlophone
Gênero: Pop Rock
Para quem gosta de: Nilüfer Yanya e Hemlocke Springs
Ouça: One Song Away From Crying e Broken Chair
Com o lançamento de What A Devastating Turn of Events (2024), Rachel Chinouriri conquistou um espaço que pertence somente a ela. Longe do pop de arena de Charli XCX, Slayyyter e outras cantoras recentes, a artista encontrou no olhar atento para a música inglesa dos anos 2000 as bases para as próprias criações, direcionamento que ganha novas tonalidades no repertório montado para I Think I Spoke Too Soon (2026).
Marcado pelo uso destacado dos sintetizadores, o disco deixa de lado a herança de nomes como Lily Allen e The Kooks para dialogar com o universo criativo de artistas como Phoenix e Passion Pit. São composições reducionistas, mas nunca econômicas, como se Chinouriri melhor administrasse o uso dos instrumentos. E isso tem um motivo: destacar ainda mais a força dos versos trabalhados pela cantora ao longo do material.
Assim como em What A Devastating Turn of Events, Chinouriri transita com naturalidade por entre faixas que combinam humor e momentos de maior vulnerabilidade. “Você é o meu desespero favorito / Um tanto errado, um tanto cru / Amor, é pura paixão”, canta a artista em um divertido exercício confessional. É como se a cantora fizesse dos próprios tormentos uma importante ferramenta para estreitar laços com o ouvinte.
Em Broken Chair, por exemplo, a artista reflete sobre o consumo excessivo de álcool e a negação da solidão enquanto se aventura em meio a batidas deliciosamente dançantes. A própria música de abertura do disco, One Song Away From Crying, parece apontar o caminho para o restante da obra, com Chinouriri à beira do colapso emocional mascarado por uma noite de festa, conceito referenciado na imagem de capa do álbum.
Nesse sentido, é difícil não pensar em I Think I Spoke Too Soon como uma comédia romântica vivida pela cantora. A própria artista adota uma abordagem muito mais descritiva na construção dos versos. Os temas sentimentais e as inquietações são sempre expostas por Chinouriri, porém encorpadas por cenários, outros personagens e eventos reais que concedem muito mais profundidade e veracidade ao repertório do disco.
Ao amarrar essas dinâmicas, I Think I Spoke Too Soon se firma como um disco impecável na forma, porém cauteloso no conteúdo. Ao fechar o foco nas próprias experiências, Chinouriri entrega um apêndice seguro do disco anterior, relutante em explorar novos horizontes temáticos. Ainda assim, a precisão dos arranjos e o apuro pop garantem a robustez de um repertório que brilha, mesmo contido em seu próprio microcosmo.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.