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Crítica

A$AP Rocky

: "Don’t Be Dumb"

Ano: 2026

Selo: AWGE / ASAP Worldwide / RCA

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Playboi Carti e Ty Dolla $ign

Ouça: Stay Here 4 Life, Punk Rocky e The End

6.5
6.5

A$AP Rocky: “Don’t Be Dumb”

Ano: 2026

Selo: AWGE / ASAP Worldwide / RCA

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Playboi Carti e Ty Dolla $ign

Ouça: Stay Here 4 Life, Punk Rocky e The End

/ Por: Cleber Facchi 02/02/2026

Os últimos anos foram bastante movimentados para A$AP Rocky. Do nascimento dos primeiros filhos com a cantora Rihanna, passando pelo recente processo judicial por atacar um amigo com arma durante uma briga, não foram poucos os acontecimentos que tumultuaram a vida do rapper nova-iorquino. Dessa forma, ao mergulhar nas composições de Don’t Be Dumb (2026, AWGE / ASAP Worldwide / RCA), não chega a ser uma surpresa que esse caos pessoal tenha bagunçado criativamente os rumos do artista dentro de estúdio.

Primeiro álbum de inéditas do rapper em oito anos, o sucessor de Testing (2018) até tenta seguir a mesma trilha experimental do registro que o antecede, porém peca pelo excesso. Do momento em que tem início, em Order Of Protection, cada nova composição leva o trabalho para uma direção diferente, costurando comentários sobre a vida midiática do nova-iorquino sem ocultar traços característicos da obra do artista.

A própria escolha de Helicopter como uma das primeiras composições do trabalho a serem reveladas pelo artista torna isso bastante explícito. São pouco menos de três minutos em que o rapper critica a obsessão por validação digital e reforça sua posição como criador de tendências, não como seguidor. O problema é que essa relação de poder no rap e na moda está longe de parecer uma novidade na obra de A$AP Rocky.

Desde que foi oficialmente apresentado, com o lançamento da mixtape Live Love A$ap (2011), tudo gira em torno de um mesmo universo criativo, com o artista se repetindo tematicamente. É como se, mesmo munido de um novo aparato poético e pessoal, A$AP Rocky fosse incapaz de ir além de tudo aquilo que testou em Long.Live.A$ap (2013), At. Long. Last. A$AP (2015) e outros encontros esporádicos com diferentes artistas.

A questão é que, quando ele acerta, ele acerta em cheio. É o caso da própria faixa-título do disco, canção que trata de entrega emocional e vulnerabilidade, com o artista colocando o amor acima de conquistas pessoais, dinheiro e da imagem pública. A própria base enevoada da canção, com samples de Sinking, da cantora Clairo, e vozes de Zsela, faz lembrar os antigos encontros do rapper com o produtor Clams Casino.

Surgem ainda preciosidades, como Stay Here 4 Life, parceria com Brent Faiyaz, e a derradeira The End, em conjunto com will.i.am e Jessica Pratt, que não apenas destacam a sensibilidade poética do artista, como levam o trabalho para outras direções. Instantes em que A$AP Rocky rompe com velhos vícios temáticos e encontra novas possibilidades criativas sem necessariamente corromper a própria identidade e essência.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.