Ano: 2026
Selo: Sello Fisura
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Hesse Kassel e Candelabro
Ouça: Vi Al Diablo, Calor e Seis Lagunas
Ano: 2026
Selo: Sello Fisura
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Hesse Kassel e Candelabro
Ouça: Vi Al Diablo, Calor e Seis Lagunas
Se em Enola Gay (2023) os integrantes do Asia Menor seguiam uma trilha bastante regular, pavimentando o caminho para a novíssima cena chilena, em Vaho (2026), o grupo fragmenta isso por completo. Segundo e mais recente álbum de inéditas da banda formada por Jorge Scheuermann, Diego Seguel, Aníbal Vergara e Cristóbal Mora, o trabalho avança em estúdio sem necessariamente corromper a identidade do quarteto.
Com Lo Bueno Que Tiene, Lo Malo Que Ignoro como música de abertura, o grupo sinaliza o uso de tempos inexatos, arranjos labirínticos e vozes que alternam entre o canto e os gritos sufocados de Scheuermann. É como se a banda seguisse em direção ao mesmo território explorado pelos conterrâneos do Hesse Kassel, porém substituindo a habitual teatralidade do projeto de Santiago por um álbum essencialmente visceral.
Em Seis Lagunas, por exemplo, enquanto os versos da canção se aprofundam em memórias de um passado ainda recente, elementos de jazz e o math rock são aos poucos consumidos pela ferocidade do grupo. Essa mesma urgência no processo de composição fica ainda mais evidente em Vi Al Diablo, música que, mesmo acessível em relação ao restante do trabalho, se converte em um turbilhão emocional de força imensurável.
Mesmo quando oferece alguns respiros, como em Metal, o grupo nunca deixa de se desafiar criativamente em estúdio. Da letra que aborda o peso da vida a partir de metáforas sobre ferramentas ao uso sufocante das vozes nos minutos finais da canção, o quarteto sempre encontra maneiras de tensionar a experiência do ouvinte, como nas repetições de Cartas, música que usa um sample do jogo Age of Empires II como base.
Embora marcado pelo forte caráter exploratório, Vaho nunca foge ao controle do quarteto. Da escolha dos timbres aos temas que alternam entre tormentos pessoais e observações sobre o cenário ao redor, nítido é o domínio do grupo em estúdio. Exemplo disso fica ainda mais evidente na derradeira Calor. São pouco menos de 12 minutos em que a banda vai de um canto a outro sem perder o domínio da própria criação.
Esse equilíbrio de forças, bem representado pelos elementos contrastantes da imagem de capa, garante ao público uma obra provocativa, mas consistente. Ainda que as estruturas de bateria e guitarras partilhem de uma similaridade quase excessiva, o quarteto encontra sempre um componente de corrupção estética que torna o processo de audição do trabalho sempre fascinante, proposta que se reflete até os momentos finais.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.