Ano: 2025
Selo: VTBO
Gênero: Eletrônica, Electropop
Para quem gosta de: Jockstrap e Let's Eat Grandma
Ouça: 27a Pitfield St, Mr. President e Wolves Howling
Ano: 2025
Selo: VTBO
Gênero: Eletrônica, Electropop
Para quem gosta de: Jockstrap e Let's Eat Grandma
Ouça: 27a Pitfield St, Mr. President e Wolves Howling
O sintetizador sujo e distorcido, como se resgatado de um arquivo comprometido de MP3, a saturação das vozes e o uso de batidas carregadas de efeitos em It’s Me Maria, composição de abertura em Forever (2025, VTBO), sintetiza de maneira eficiente a estética caótica do Bassvictim. Claramente influenciados pelo som produzido no final dos anos 2000, Maria Manow e Ike Clateman apontam para o passado e bebem da obra de veteranos com Crystal Castles, White Ring e Salem, porém, preservando a própria identidade criativa.
Depois de investir em uma sequência de bons EPs marcados pela urgência dos elementos, Basspunk (2024) e Basspunk 2 (2025), a dupla deixa de lado o ritmo frenético para mergulhar no primeiro álbum de estúdio da carreira. A imprevisibilidade estrutural dos trabalhos anteriores ainda se faz presente, porém completa pelo maior detalhamento das composições, entalhe das texturas e momentos de evidente aprofundamento.
Segunda composição do disco, 27a Pitfield St torna isso bastante explícito. Enquanto os versos tratam sobre relações passageiras, amizades instáveis e a tentativa constante de manter a conexão emocional antes que tudo se dissolva, Manow e Clateman jogam com as possibilidades. São camadas de pianos, batidas e vozes que surgem como um instrumento complementar, lembrando o Jockstrap em I Love You Jennifer B (2022).
Claro que esse esforço em ampliar os próprios horizontes não interfere na entrega de faixas ainda íntimas dos antigos trabalhos da dupla. É o caso da insana Wolves Howling. Com batidas e sintetizadores sempre em primeiro plano, a composição traz de volta o experimentalismo e crueza que apresentou o Bassvictim. A própria música de encerramento, Final Song, mantém firme a mesma urgência e fluidez dos elementos.
Entretanto, é quando mais se distancia dos antigos trabalhos, como em Ike Piano, que Manow e Clateman garantem ao público algumas das melhores faixas do disco. São pouco mais de três minutos em que os dois artistas se aventuram em um estudo de pianos, arranjos de cordas e efeitos. Surgem ainda canções como a ritualística Grow Up, com ecos de M.I.A., e Mr. President, composição que fragmenta o pop de forma única.
Maior e mais complexo a cada nova audição, Forever é tanto um laboratório criativo quanto um exercício de aprimoramento dos antigos trabalhos da dupla. Instantes em que os dois artista se permitem avançar criativamente e até resgatar antigas ideias sem necessariamente cair na repetição. Uma insana combinação de referências, ritmos, melodias e vozes que faz de cada novo regresso ao registro uma experiência única.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.