Ano: 2026
Selo: Risco / Nublu Records
Gênero: Rock, Experimental
Para quem gosta de: Ava Rocha e Arnaldo Antunes
Ouça: Nuvem Movimento e Medo do Invisível
Ano: 2026
Selo: Risco / Nublu Records
Gênero: Rock, Experimental
Para quem gosta de: Ava Rocha e Arnaldo Antunes
Ouça: Nuvem Movimento e Medo do Invisível
Muito embora a imagem da Cidadão Instigado tenha se popularizado como banda, foi de maneira solitária que Fernando Catatau inaugurou o projeto em meados dos anos 1990. Agora, três décadas após o início das atividades, o cantor, compositor e produtor cearense retorna ao formato original com um trabalho que é, ao mesmo tempo, uma de suas obras mais solitárias e colaborativas, reforçando a imprevisibilidade do artista.
Autointitulado, o sucessor de Fortaleza (2015) traz de volta o que há de mais característico no trabalho de Catatau: o aspecto exploratório. Em um intervalo de 50 minutos, o artista cearense vai do rock psicodélico à produção eletrônica de maneira sempre curiosa, jogando com as possibilidades a cada novo movimento. A diferença está na abordagem minimalista, com o músico se articulando em torno de uma Roland MV-8800.
Parte desse resultado vem do próprio processo de criação do trabalho, quando o músico, ainda isolado por conta da pandemia de Covid-19, começou a delinear o material. São canções que seguem de onde Catatau havia parado no primeiro disco em carreira solo, lançado há quatro anos, porém partindo de uma proposta retorcida, liricamente estranha e completa por nomes com quem o compositor colaborou nos últimos anos.
Logo na abertura do álbum, em Sangue no Chão, é Juçara Marçal que assume parte das vozes, retornando mais tarde, na densa O Grande Vazio. Já em Medo Do Invisível, é o sintetizador de Kiko Dinucci e as vozes de Jadsa que chamam a atenção. A baiana ainda aparece na dinâmica Nuvem Movimento, composição que precede Tremendo, com Ava Rocha, e Insônia, delirante criação que se abre para a chegada de Edson Van Gogh e YMA. Nada que impossibilite a interferência dos antigos parceiros de banda do músico cearense.
Posicionada logo nos minutos iniciais, Tudo Vai Ser Diferente funciona como marcador temporal da obra, com o artista mesclando passado, presente e futuro ao lado de Clayton Martin, Dustan Gallas, Rian Batista e Regis Damasceno. “Nada será como antes / Tudo vai ser diferente / Como antes”, anuncia. No restante do disco, canções que, mesmo assumidas integralmente, contam com fragmentos de vozes e inserções sutis.
É como um remix torto de tudo aquilo que o músico cearense tem explorado na Cidadão Instigado desde o início da carreira. Canções que, vez ou outra, repetem estruturas, temas e conceitos anteriormente testados em outros trabalhos do projeto, mas que encontram sempre um ponto de ruptura estético. Seja no criativo diálogo com a música eletrônica, como no rock sintético de Consciência, ou na curiosa relação com outros artistas, caso de Mateus Fazeno Rock, na derradeira Sobrevivendo, Catatau é capaz de tudo, menos o óbvio.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.