Ano: 2026
Selo: Mercúrio Música
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Mariá Portugal e Carla Boregas
Ouça: Minha Casa Ardendo em Mim e Ressaca
Ano: 2026
Selo: Mercúrio Música
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Mariá Portugal e Carla Boregas
Ouça: Minha Casa Ardendo em Mim e Ressaca
“Meu tempo é o das montanhas / Ligeirezas não me alcançam”, confessa Clau Aniz em E Olhar De Longe As Brasas Que Dançam na Superfície. Escolhida para inaugurar uma nova fase na carreira da artista cearense, a canção sintetiza tudo aquilo que a cantora, compositora e produtora de Fortaleza desenvolve ao longo de Mácula (2026, Mercúrio Música), trabalho em que joga com regras próprias e, aos poucos, as desconstrói.
Sequência ao material entregue em Filha de Mil Mulheres (2018), o registro produzido em colaboração com Yuri Costa brinca com a fragmentação dos elementos. Enquanto no álbum anterior Aniz parecia percorrer um caminho sinuoso, lento e bastante solitário, aqui ela segue o oposto disso. O percurso ainda é incerto e o avanço se dá em uma medida particular de tempo, mas a força do trabalho reside na potência do coletivo.
Acompanhada por músicos como Tuan Fernandes (bateria, percussão), Clarisse Aires (flauta transversal) e 131EL (saxofone), além do próprio Costa, que assume baixo, sintetizadores, samples e batidas, Aniz, também responsável pelos sintetizadores, clarinete e guitarras, expande seus domínios. São canções que transitam entre o jazz, a eletrônica e o rock sem qualquer apego em estabelecer residência em um gênero específico.
Essa multiplicidade de ideias resulta em canções curiosamente imediatas, como Rubra Pedra e Cal, música inimaginável quando pensamos no repertório cadenciado que Aniz apresenta em Filha de Mil Mulheres. Já em Minha Casa Ardendo Em Mim, chama a atenção o incessante atravessamento de informações, conceito que ganha outras nuances no decorrer do trabalho, com a cantora testando os próprios limites em estúdio.
Ainda assim, é no reducionismo e no remix torto da atmosfera intimista proposta no trabalho anterior que a artista estabelece algumas de suas melhores canções. Do sentimento de libertação que invade os versos de Ressaca, passando pela economia avassaladora da própria música-título (“Seria eu o vento / A bagunçar o relevo / Do teu pensamento?”), perceba como Aniz sempre faz muito com pouco, hipnotizando o ouvinte.
Mesmo quando investe em composições mais abstratas, como em Harsh e Oco, sufocando a palavra para investir nas texturas e ambientações etéreas, a artista mantém firme a atenção aos detalhes. São inserções minuciosas, ruídos e fragmentos instrumentais que, longe de garantir possíveis respostas, tensionam novas perguntas, fazendo desse sempre mutável labirinto de sensações a força do repertório de Aniz em Mácula.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.