Ano: 2026
Selo: Epitaph
Gênero: Rock, Metalcore
Para quem gosta de: Chat Pile e Knocked Loose
Ouça: Love Is Not Enough e We Were Never The Same
Ano: 2026
Selo: Epitaph
Gênero: Rock, Metalcore
Para quem gosta de: Chat Pile e Knocked Loose
Ouça: Love Is Not Enough e We Were Never The Same
Love Is Not Enough (2026, Epitaph) talvez não seja o disco mais transgressor do Converge, porém reforça a boa forma do quarteto estadunidense. Primeiro trabalho autoral da banda desde The Dusk In Us (2017), o álbum concentra o que há de melhor na obra do grupo de Salem. São canções consumidas pela força dos sentimentos e versos vulneráveis que conduzem com evidente agressividade a elaboração dos arranjos.
A principal diferença em relação a outros trabalhos do Converge, como Jane Doe (2001) e All We Love We Leave Behind (2012), também orientados por temas similares, está na forma como o grupo divide o álbum em duas metades bastante claras. De um lado, a porção inicial, centrada em inquietações sobre o amor; no outro, atravessando a instrumental Beyond Repair, faixas que equilibram questões políticas e existenciais.
Mais do que uma separação temática, essa divisão em Love Is Not Enough impacta diretamente o ritmo do álbum. Inaugurado pela própria faixa-título, o registro dispara em uma sequência de músicas rápidas que concentram o que há de melhor no repertório do Converge. São composições como Bad Faith e To Feel Something que se resolvem em um intervalo de um a dois minutos, impossibilitando o ouvinte de respirar.
Com a chegada de Amon Amok, a abordagem passa a ser outra, com o Converge investindo em faixas um pouco mais lentas, densas e sombrias. Apesar da mudança de ritmo, o grupo passa longe do som arrastado de Bloodmoon: I (2021). Registro assinado em colaboração com a cantora Chelsea Wolfe. São músicas como Gilded Cage e Force Meets Presence que se desenvolvem aos poucos, mas nunca deixam de impressionar.
Entretanto, é quando alcança um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos que o Converge garante ao público algumas das melhores composições do trabalho. Exemplo disso fica bastante evidente na própria sequência de fechamento do disco, com Make Me Forget You e We Were Never the Same. Da densidade das guitarras à crueza das vozes e firmeza da bateria, tudo escancara a potência do quarteto dentro de estúdio.
Embora a divisão em dois blocos revele ambição, a quebra de intensidade após a abertura compromete o impacto da obra e dilui a urgência característica do Converge. Ainda assim, quando reencontra o próprio eixo, unindo brutalidade, precisão técnica e lirismo confessional, o quarteto reafirma sua relevância com autoridade. Love Is Not Enough pode não reinventar a trajetória da banda, mas demonstra maturidade ao tensionar a própria fórmula, preservando a violência emocional que sustenta sua identidade há décadas.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.