Ano: 2026
Selo: Warner Japan / Eat Your Own Ears
Gênero: Rock, Art Rock
Para quem gosta de: Beck e Stereolab
Ouça: Mazaranai, Mirrors e Bad Advice
Ano: 2026
Selo: Warner Japan / Eat Your Own Ears
Gênero: Rock, Art Rock
Para quem gosta de: Beck e Stereolab
Ouça: Mazaranai, Mirrors e Bad Advice
Refração é o fenômeno que ocorre quando uma onda muda de direção e velocidade ao passar de um meio para outro, alterando sua trajetória e formatação. Partindo desse conceito, difícil não pensar no repertório de Refractions (2026), novo álbum de Keigo Oyamada, o Cornelius, como uma reinterpretação meticulosa de tudo aquilo que o cantor, compositor e produtor japonês tem incorporado desde o começo da carreira.
Primeiro trabalho de inéditas do artista desde Dream In Dream (2023), o registro se distancia de possíveis rupturas estéticas e momentos de maior experimentação para subverter velhos formatos. São canções que transitam em meio a elementos de rock, jazz e música eletrônica, conceito que tem sido explorado desde o amadurecimento artístico com Fantasma (1997), porém partindo de diferentes interpretações e formatos.
A própria escolha em regravar Yumenemi, do músico Yosui Inoue, funciona como uma boa representação desse resultado. Originalmente lançada em 1990, a releitura de Cornelius preserva o ritmo cadenciado da primeira versão, porém ganha contornos psicodélicos. São pouco mais de seis minutos em que incontáveis camadas de sintetizadores, guitarras carregadas de efeitos e vozes sutis se entrelaçam de forma hipnótica.
Mesmo velhos colaboradores surgem em novos formatos ao longo do trabalho. Em Bad Advice, com parte dos versos cantados em português, é Arto Lindsay quem passeia livremente com a guitarra. Já em Aeons, Sean Ono Lennon assume parte dos vocais na canção. Surgem ainda nomes como Shintaro Sakamoto e Bid, líder da banda inglesa The Monochrome Set, que ajudam o instrumentista a ampliar os limites do material.
Nada que diminua o impacto de canções assumidas apenas por Oyamada. É o caso de Mirrors. Com mais de oito minutos de duração, a faixa vai das estruturas cíclicas do krautrock ao experimentalismo sujo que evoca Sonic Youth sem jamais comprometer a identidade do artista. Cornelius se permite até investir em uma abordagem mais pop, como em Twisting & Glistening, música que atualiza a produção dos anos 1980.
Toda essa multiplicidade de ideias, que nunca foge ao controle de Oyamada, faz de Refractions o trabalho mais complexo do músico desde o regresso com Mellow Waves (2017). Ainda que muitas das estruturas e dos elementos testados ao longo do material sejam derivados de outros discos de Cornelius, a forma como o artista reinterpreta a própria obra garante ao ouvinte novos significados e caminhos a serem explorados.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.