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Crítica

CrioloAmaro Freitas / Dino D’Santiago

: "Criolo, Amaro e Dino"

Ano: 2026

Selo: Criolo Produções

Gênero: Rap, Jazz, MPB

Para quem gosta de: Emicida e Don L

Ouça: E Se Livros Fossem Líquidos e Anoitecer

7.7
7.7

Criolo, Amaro Freitas & Dino D’Santiago: “Criolo, Amaro e Dino”

Ano: 2026

Selo: Criolo Produções

Gênero: Rap, Jazz, MPB

Para quem gosta de: Emicida e Don L

Ouça: E Se Livros Fossem Líquidos e Anoitecer

/ Por: Cleber Facchi 21/01/2026

Há dois anos, quando o rapper paulistano Criolo, o pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas e o multiartista português Dino D’Santiago uniram forças em Esperança, ficou bastante claro que essa não seria a única colaboração do trio. Conectados pelo destino e outros projetos relacionados a Milton Nascimento, o grupo volta a se encontrar no fino repertório montado para Criolo, Amaro e Dino (2026, Criolo Produções).

Concebido em pequenas doses, com sessões divididas entre Portugal, Recife e Rio de Janeiro, o registro foi desenvolvido sem roteiros ou temáticas definidas, garantindo maior liberdade ao grupo. O resultado desse rico processo criativo está na entrega de uma obra que pertence tanto ao trio em unidade, como a cada um dos colaboradores de maneira independente, preservando suas principais características e traços autorais.

Em Você Não Me Quis, por exemplo, com produção adicional de Nave, é o misto de canto e rima que aponta para os registros de Criolo em carreira solo. Já em Menina do Coco de Carité, com instrumentação potente, percussão e pianos em destaque, é Freitas que dita as regras. D’Santiago, por sua vez, brilha em Fogo Lento, canção que avança delicadamente, deixando escorrer o sotaque do músico de ascendência cabo-verdiana.

Entretanto, é quando o equilíbrio impera que o trio garante ao público algumas das principais composições do registro. É o caso da introdutória E Se os Livros Fossem Líquidos, um jazz-rap que transita por diferentes idiomas, escancara a produção caprichada do trio e aponta o caminho para o restante do disco. O mesmo detalhamento acaba se refletindo em Hoje Eu Vi Você, criação que parece resgatada da obra de Cassiano.

Claro que, no meio dessas trocas, nem todas as canções parecem funcionar dentro do registro. É o caso da Amazonia (A-i’ahu), composição marcada pelo discurso político/ecológico, mas que parece gratuitamente panfletária, deslocada do restante do trabalho. Já em Mama Afrika, o trio aponta para diferentes direções, ritmos e temáticas de maneira dispersa, sem alcançar o mesmo equilíbrio presente no restante do material.

Ainda assim, prevalece nesse caráter exploratório a real beleza do repertório concebido pelo trio. Dividido entre momentos de maior experimentação, como em No Vento de Nós, e canções deliciosamente acessíveis, caso de Ela É Foda e a inescapável Anoitecer, cada fragmento do disco, mesmo o mais sutil, cumpre com a função de estreitar laços entre seus idealizadores e extrair o que há de melhor na obra de cada um deles.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.