Image
Crítica

Crise

: "Por favor, me perdoe. As más notícias finalmente chegaram"

Ano: 2026

Selo: Lastro Musical

Gênero: Indie Rock, Dream Pop

Para quem gosta de: Varanda e Esclusive os Cabides

Ouça: Quanto Tempo, Robofoot e Elefante

7.8
7.8

Crise: “Por favor, me perdoe. As más notícias finalmente chegaram”

Ano: 2026

Selo: Lastro Musical

Gênero: Indie Rock, Dream Pop

Para quem gosta de: Varanda e Esclusive os Cabides

Ouça: Quanto Tempo, Robofoot e Elefante

/ Por: Cleber Facchi 23/04/2026

Um bom registro de estreia não é aquele que apenas apresenta seus criadores, mas aponta caminhos. E é exatamente isso que encontramos em Por favor, me perdoe. As más notícias finalmente chegaram (2026, Lastro Musical). Primeiro álbum de estúdio do grupo sorocabano Crise, o disco de oito faixas não apenas escancara as potencialidades do quinteto em estúdio, como abre passagem para o que ainda está por vir.

Com Robofoot como faixa de abertura, o grupo formado por Cristine Siqueira, Gabriel Pasin, Raphael Resta, Caio Lobo e Enzo Mori apresenta parte dos elementos que serão explorados ao longo da obra. São canções ancoradas em relacionamentos fracassados, momentos de maior vulnerabilidade e crises típicas de jovens adultos, conceito reforçado na ciclicidade sufocante que invade Insisto/Desisto, vinda logo em sequência.

É como se cada nova composição encaminhasse o ouvinte para a faixa seguinte, fazendo dessa sequência de abertura do trabalho um inescapável turbilhão emocional. A própria Quanto Tempo, com suas guitarras sujas e versos esmagados pela pressão do cotidiano, torna isso ainda mais evidente. Um misto de dor e fino toque de libertação que alcança seu ápice com a chegada de Elefante, com quase dez minutos de duração.

Música que mais se distancia do restante do disco, a composição substitui o peso dos versos pela força dos instrumentos, ampliando os horizontes de possibilidades do quinteto. Tudo é tão intenso e bem estruturado que torna evidente o completo desequilíbrio de forças entre a primeira e a segunda metade da obra. Nada que prejudique a entrega de boas canções, como Tempos Impossíveis, uma das mais dolorosas do registro.

A questão é que falta variabilidade, com o grupo se repetindo lírica e musicalmente, como em Ofensa, faixa que pouco acrescenta quando próxima de Insisto/Desisto e Quanto Tempo. Ainda assim, o quinteto reserva algumas surpresas, como Ao Seu Lado. Marcada pelo sintetizador melódico e a letra cantarolável, a canção deixa de lado a proposta soturna do material para beber do mesmo twee pop de bandas como Rocketship.

A própria escolha do grupo em encerrar o trabalho com Quixote torna esse capricho ainda mais evidente. Mesmo partindo de uma abordagem bastante similar ao restante da obra, a composição destaca o caráter etéreo das guitarras e harmonias de vozes, levando o disco para outras direções. São pinceladas poéticas e instrumentais aplicadas com nítida timidez, mas que ilustram um futuro colorido para a banda sorocabana.

Ouça também:

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.