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Crítica

Danny L Harle

: "Cerulean"

Ano: 2026

Selo: XL Recordings

Gênero: Eletrônica, Pop

Para quem gosta de: A. G. Cook e easyFUN

Ouça: Crystallise My Tears e Azimuth

7.4
7.4

Danny L Harle: “Cerulean”

Ano: 2026

Selo: XL Recordings

Gênero: Eletrônica, Pop

Para quem gosta de: A. G. Cook e easyFUN

Ouça: Crystallise My Tears e Azimuth

/ Por: Cleber Facchi 18/02/2026

De Caroline Polachek à Charli XCX, de Oklou à Dua Lipa, não foram poucas as artistas que encontraram em Danny L Harle um importante parceiro criativo. Um dos responsáveis por moldar o pop ao longo da última década, o produtor busca no primeiro álbum em carreira solo, Cerulean (2026, XL Recordings), preservar e, ao mesmo tempo, expandir criativamente tudo aquilo que havia testado em suas colaborações recentes.

Utilizando a temática marítima como ponto de partida para a elaboração do disco, Harle se articula como um navegador cósmico em busca de novas possibilidades, parceiros e territórios a serem explorados. São composições que se dividem entre os temas barrocos de Claudio Monteverdi e a eurotrance de produtores como Gigi D’Agostino em uma interpretação sóbria do que o artista havia explorado em Harlecore (2021).

Se, por um lado, essa abordagem acaba matando o bom humor e o fino toque de ironia que sempre guiou as criações de Harle, por outro, destaca o amadurecimento técnico e o domínio do artista como produtor. Exemplo disso fica bastante evidente em Azimuth, colaboração com Caroline Polachek, em que trata sobre dois amantes desorientados, emocional e simbolicamente à deriva, como uma síntese criativa do material.

Claro que essa busca do produtor por um repertório marcado pela seriedade não interfere na entrega de canções deliciosamente acessíveis, divertidas e prontas para as pistas. É o caso de Crystallise My Tears, parceria com Oklou e MNEK que parece pensada para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. A própria Starlight, em colaboração com PinkPantheress, é outra que hipnotiza sem dificuldades.

O problema acaba ficando por conta dessa mudança excessiva de tom ao longo do disco, como se o artista fosse incapaz de se decidir sobre que rumo seguir dentro da obra. Surgem ainda faixas como a deslocada Two Hearts, parceria com Dua Lipa em que busca emular o trabalho de Robyn, e Island (Da Da Da), canção que soa como uma interpretação pobre do sucesso Stereo Love, dos romenos Edward Maya e Vika Jigulina.

Mesmo irregular e por vezes excessivamente ambicioso, Cerulean reafirma o talento e a visão do produtor como um dos mais importantes arquitetos do pop contemporâneo. Falta coesão, mas sobra inventividade, e é justamente nessa tensão entre o controle técnico e o risco estético que o trabalho encontra sua força. Um exercício criativo talvez desequilibrado, mas profundamente alinhado com o caráter exploratório de Harle.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.