Ano: 2026
Selo: Neurot Recordings
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Test e Health
Ouça: Cicatrizes, Parasita e Advertência
Ano: 2026
Selo: Neurot Recordings
Gênero: Experimental
Para quem gosta de: Test e Health
Ouça: Cicatrizes, Parasita e Advertência
Em um cenário intoxicado por ilusões de poder e manipulações sistêmicas, Douglas Leal e Marian Sarine encontraram as bases para o repertório de Cicatrizes do Futuro (2026, Neurot Recordings). Mais recente álbum de estúdio do Deadkids, o sucessor do colaborativo Sem Esperanças (2025), trabalho assinado em parceria com o Test, destaca o caráter exploratório e a ferocidade que orienta o som da dupla fluminense.
Inaugurado por Parasita, o trabalho diz a que veio logo nos minutos iniciais. São vozes submersas, bases processadas e o uso sempre destacado da bateria. Exemplo disso fica ainda mais evidente na composição seguinte, Cicatrizes. Pouco mais de cinco minutos em que Leal e Sarine brincam com a sobreposição dos elementos, direcionamento que conduz as criações do Deafkids desde os primeiros registros em estúdio.
A diferença está na forma como a dupla intensifica o diálogo com os ritmos e a cultura latina, base para a faixa seguinte, Profecia. Claro que essa busca por novas possibilidades não interfere na entrega de músicas ainda íntimas dos antigos trabalhos da banda. É o caso de Simulacro, canção que amplia o escopo rítmico do disco sem necessariamente corromper o acabamento industrial e a urgência punk que move o Deafkids.
Sobrevive justamente nesse equilíbrio de forças o estímulo para algumas das melhores canções do registro. É o caso de Advertência, música que combina a percussão ritualística adotada pela banda com a habitual base sintética do projeto. A própria Reflexo, vinda em sequência, torna isso ainda mais explícito, com Leal e Sarine investindo em um som ainda mais fragmentado e sujo, como um remix torto da faixa que a antecede.
Essa degradação dos elementos acaba se refletindo durante toda a porção final do trabalho. Em Feitiço, por exemplo, são efeitos, texturas e vozes saturadas que garantem maior profundidade à faixa. Já em Possessão Coletiva, é a lenta sobreposição dos instrumentos e a bateria marcada, como uma versão menos urgente e ainda mais interessante de tudo aquilo que o Deafkids desenvolve durante a primeira metade do material.
A própria Em Transe, no encerramento do disco, funciona como uma síntese criativa do registro, com Leal e Sarine resgatando uma série de componentes rítmicos e instrumentais espalhados ao longo do material. São estruturas que se repetem, mas a todo momento encontram um elemento de ruptura, proposta que não apenas amplia os limites do trabalho, como destaca a capacidade da dupla em tensionar a própria criação.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.