Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Indietronica
Para quem gosta de: Smerz e A Good Year
Ouça: Ne Plus Ultra, Coil e Threads
Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Indietronica
Para quem gosta de: Smerz e A Good Year
Ouça: Ne Plus Ultra, Coil e Threads
Os minutos iniciais de Coil, música de abertura em Rumspringa (2026) são essenciais para entender aquilo que Jonah Paz e Yaelle Avtan buscam desenvolver no segundo e mais recente álbum de estúdio do Ear. Em um intervalo de poucos segundos, retalhos de vozes, ruídos e captações de campo se espalham em meio a ambientações acústicas que refletem o som fragmentado e a poesia contemplativa da dupla estadunidense.
Sequência ao material entregue no ainda recente The Most Dear and the Future (2025), o trabalho de dez faixas segue de onde Paz e Yaelle pararam no último ano, porém substitui o experimentalismo do registro anterior por uma abordagem ainda mais sofisticada e, acima de tudo, humana. São fragmentos de vozes que atravessam os escombros sintéticos do trabalho, destacando a delicadeza que orienta os dois artistas.
É como se os dois músicos resgatassem o caráter exploratório de veteranos como The Books e, ao mesmo tempo, dialogassem com o pop introspectivo de Smerz, A Good Year e outros nomes da cena escandinava. A própria faixa-título, com seus diferentes atravessamentos de informações, sintetiza isso de forma bastante clara, com Paz e Yaelle brincando com a gradativa sobreposição de elementos rítmicos, melodias e vozes.
Embora avance em uma medida particular de tempo, Rumspringa tem seus momentos de maior agitação. Exemplo disso fica bastante evidente em Ne Plus Ultra. Partindo do atrito causado pela pergunta “você está me filmando agora?”, Paz e Yaelle destacam a construção das batidas e ruídos sintéticos que apontam para o mesmo território criativo de Bassvictim, Jockstrap e outros projetos de pop experimental da cena inglesa.
Entretanto, a real beleza do trabalho não está nesses momentos de maior euforia, mas no lento desvendar das informações. Em Will, por exemplo, são melodias cintilantes que, pouco a pouco, se deixam consumir pelas distorções. Já em F, é a contínua fragmentação das batidas e os diálogos ocasionais que invadem a faixa. Mesmo composições mais urgentes, como Threads, revelam pequenos detalhes e texturas preciosas.
Ainda que muitas composições ocasionalmente pareçam mais esboços do que ideias completas, como a reducionista Water and Power, há sempre um componente rítmico, sonoro ou vocal que chama a atenção do ouvinte. Mesmo próximo do encerramento, em Good Day Will Arrive, a dupla reserva algumas bases melódicas que não apenas levam o registro para outras direções, como apontam caminhos para o futuro.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.