Ano: 2026
Selo: Control Freaq / Young
Gênero: Neo-Soul
Para quem gosta de: Jill Scott e Lauryn Hill
Ouça: Witch Doctor e I Know That Man
Ano: 2026
Selo: Control Freaq / Young
Gênero: Neo-Soul
Para quem gosta de: Jill Scott e Lauryn Hill
Ouça: Witch Doctor e I Know That Man
Ainda que tenha mantido um volume de apresentações ao vivo considerável, a última vez que ouvimos um registro de inéditas de Erykah Badu foi há onze anos, com a mixtape But You Caint Use My Phone (2025). E se levarmos em consideração apenas trabalhos de estúdio, o intervalo é ainda maior, com New Amerykah Part Two (Return Of The Ankh) (2010) sendo a última empreitada criativa da multiartista norte-americana.
Embora longe dos estúdios, a mente de Badu nunca descansou, com a cantora compilando inquietações e ideias para um novo registro de inéditas, feito concretizado em Before The World Blows (2026). Idealizado como uma cápsula do tempo para as filhas da artista, Puma e Mars, o trabalho produzido em parceria com The Alchemist é menos um disco tradicional e mais um documento sonoro que antecede o fim do mundo.
A própria atuação de Badu em estúdio sugere uma abordagem diferente em relação aos antigos trabalhos, com a artista deixando o canto em segundo plano para destacar a construção das rimas. São composições que vão de divagações sobre o cotidiano a questões complexas sobre a crise climática, conflitos humanos, repressão feminina e os efeitos nocivos das redes sociais em uma alucinante combinação de sentimentos.
Claro que essa maior sobriedade no discurso não interfere na leveza e no bom humor da cantora. Em Love Me Not, por exemplo, a artista se prepara para um encontro de forma sensual e divertida, culminando em uma sessão de depilação brilhantemente sonorizada e interpretada por Badu. Ainda assim, é no discurso provocativo que o trabalho se fortalece, como em Witch Doctor, música em que resgata bruxas icônicas da cultura pop e traça um paralelo analítico com a mídia como forma moderna de feitiçaria e manipulação.
Apesar de ocasionalmente disperso, o álbum funciona justamente pela liberdade criativa dos dois artistas em misturar reflexão, humor, sensualidade e experimentação sobre uma produção enevoada e hipnótica, típica das criações de The Alchemist. Entretanto, o ritmo arrastado na porção central do disco e a escolha de convidados pouco complementares, como Steve Lacy em To The Moon (Plan C), vão consumindo a obra.
Nada que o eixo final do trabalho não dê conta de solucionar. Acompanhados de Kamasi Washington, Earl Sweatshirt e Thundercat. Badu e The Alchemist retomam o caráter exploratório do bloco inicial do álbum sem se repetir. São ideias e atravessamentos constantes de informações, batidas, samples e vozes, como um acúmulo natural, poético e emocional de tudo aquilo que a própria artista experienciou nos anos de hiato.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.