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Crítica

Fabiano do Nascimento / E Ruscha V

: "Aquáticos"

Ano: 2026

Selo: Music From Memory

Gênero: Folk, Eletrônica, Jazz

Para quem gosta de: SML e Sam Wilkes

Ouça: Rain, Nascer e Rio Inverso

7.8
7.8

Fabiano Do Nascimento & E Ruscha V: “Aquáticos”

Ano: 2026

Selo: Music From Memory

Gênero: Folk, Eletrônica, Jazz

Para quem gosta de: SML e Sam Wilkes

Ouça: Rain, Nascer e Rio Inverso

/ Por: Cleber Facchi 09/02/2026

Por mais corajosa que fosse a atitude de Fabiano do Nascimento em se aventurar pela música eletrônica no álbum Nas Nuvens (2023), a falta de afinidade do violonista carioca com o estilo fez do trabalho uma obra exageradamente contida e musicalmente repetitiva. Satisfatório perceber em Aquáticos (2025, Music From Memory) um registro que não apenas soluciona esses problemas, como expande os horizontes do artista.

Acompanhado pelo produtor californiano E Ruscha V, o artista carioca mantém firme o protagonismo do violão enquanto o colaborador trata das ambientações e bases sintéticas. O resultado desse processo está na entrega de uma obra que concentra o que há de melhor no trabalho de cada realizador. São canções imersivas, envolventes e fluidas, como uma manifestação instrumental e poética do próprio título do álbum.

Parte desse resultado vem do processo de desenvolvimento do trabalho. Em produção desde o começo da década, Aquáticos foi gerado de maneira espontânea, em diferentes sessões, com o violonista brasileiro e o produtor norte-americano se complementando em estúdio. Exemplo disso fica bastante evidente logo na introdutória Nascer, música que marca o início dessa parceria e aponta a direção para o restante da obra.

É como se cada fragmento do disco fosse trabalhado em uma medida particular de tempo, sem pressa. Da fluidez dos arranjos, passando pelo uso das texturas, ambientações sintéticas e o sempre presente violão do instrumentista carioca, notável é o refinamento da dupla durante toda a execução do material. São canções como as hipnóticas Rain e Leaves que parecem maiores e mais complexas a cada nova audição do registro.

Embora avance aos poucos, Aquáticos está longe de parecer um trabalho arrastado. Do momento em que tem início, na já citada Nascer, até alcançar a derradeira Rio Inverso, cada nova faixa abre passagem para a canção seguinte, garantindo movimento ao registro. O próprio uso das batidas em músicas como Rain e Solar contribui para esse resultado, rompendo com a morosidade explícita em obras como Nas Nuvens.

Claro que esse maior dinamismo no processo de construção do trabalho não impede o aparecimento de faixas menos atrativas. É o caso da arrastada Purpose, música que pouco acrescenta quando próxima de outras canções ao longo do disco. São composições menos imediatas, mas nunca inferiores ou desprovidas do mesmo refinamento técnico, prova do capricho depositado pela dupla durante toda a execução da obra.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.