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Crítica

FBC

: "Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás E Outras Brasilidades"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Rap, Rock

Para quem gosta de: Djonga e Planet Hemp

Ouça: Homo Sacer, Ódio Social e Bandido Bom

7.7
7.7

FBC: “Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás E Outras Brasilidades”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Rap, Rock

Para quem gosta de: Djonga e Planet Hemp

Ouça: Homo Sacer, Ódio Social e Bandido Bom

/ Por: Cleber Facchi 13/05/2026

Livre de qualquer subjetividade, Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás e Outras Brasilidades (2026) mostra que o óbvio às vezes precisa ser dito. Mais recente trabalho de estúdio do rapper mineiro FBC, o sucessor de Assaltos e Batidas (2025) segue a trilha política do registro que o antecede, porém substitui a relação do artista com o rap para destacar o diálogo com o rock em uma abordagem sempre provocativa e urgente.

Com produção assinada por Baka (Gaby Amarantos, Rosa Neon), o disco transporta para dentro de estúdio a mesma ferocidade expressa por FBC em suas redes sociais. São composições que tratam sobre violência policial, repressão e críticas a grupos políticos, sem jamais poupar nomes. De Nikolas Ferreira a Fernando Haddad, há sempre um verso pronto para ser disparado pelo artista mineiro, conceito que move o material.

E FBC não chega desacompanhado. Em Homo Sacer, logo nos minutos iniciais do trabalho, é o conterrâneo Djonga quem assume parte dos versos da composição que trata sobre o ciclo de violência, a desigualdade e a criminalização nas periferias de todo o país. Minutos à frente, em Canudos, é a vez da artista fluminense MC Taya invadir os versos que tratam sobre a violência do Estado brasileiro contra movimentos populares.

Nada que diminua o impacto de canções assumidas em totalidade pelo artista. “Sе o povo não se revolta / A revolta é contra o povo”, alerta FBC em Ódio Social, composição que sintetiza o lirismo afiado e a potência do mineiro em estúdio. Essa mesma ferocidade volta a se repetir em Bandido Bom, faixa que evoca nomes como Rage Against The Machine e Planet Hemp, entretanto, preservando a identidade criativa do rapper.

Ainda que em muitas das faixas, como Não Vote Em Ninguém e Sorriso Capitalista, FBC pareça pregar para convertidos, a rima desimpedida, livre de possíveis amarras, torna o processo de audição do disco sempre fascinante. Em Lesa Pátria, por exemplo, é o ataque direto à família Bolsonaro. Já em Os Porcos Vem Aí, os versos miram na polícia. Nem mesmo igrejas e entidades religiosas passam ilesas, como em Quinta Coluna.

Da imagem de capa, uma ilustração de Kawany Tamoyos, passando pela inserção dos versos, cada mínimo fragmento destaca o teor político do material. São composições ancoradas em temas e narrativas há muito exploradas pelo artista mineiro em suas obras, proposta que reduz a sensação de ineditismo do trabalho, porém encontra na urgência das guitarras e no diálogo com o rock um explícito componente de renovação.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.