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Crítica

Fcukers

: "Ö"

Ano: 2026

Selo: Ninja Tune

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: Confidence Man e Fred Again

Ouça: I Like It Like That, L.U.C.K.Y e Play Me

6.8
6.8

Fcukers: “Ö”

Ano: 2026

Selo: Ninja Tune

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: Confidence Man e Fred Again

Ouça: I Like It Like That, L.U.C.K.Y e Play Me

/ Por: Cleber Facchi 15/04/2026

Convidados a abrir shows de nomes como Tame Impala, LCD Soundsystem e Justice, Jackson Walker Lewis e Shanny Wise buscam transportar a mesma energia explícita em cima dos palcos para o primeiro álbum de estúdio do Fcukers, Ö (2026, Ninja Tune). Coproduzida em parceria com Kenneth Blume, o Kenny Beats, a obra destaca a relação do duo com as pistas, porém peca pela nostalgia excessiva e pequenas repetições.

Salvo exceções, como TTYGF, composição que aproxima a dupla nova-iorquina do dub, Ö se estabelece na elaboração de faixas bastante similares. São canções que apontam para a cena eletrônica dos anos 1990 e 2000, detalhando o uso de bases cíclicas que se abrem para a voz sussurrada de Wise. A própria música de abertura do registro, Backbeat, funciona como uma síntese de tudo aquilo que o duo busca desenvolver.

A questão é que, enquanto Bassvictim, Debby Friday e outros projetos recentes parecem inspirados pela já desgastada estética indie sleaze e electropop de artistas como Crystal Castles, Lewis e Wise vão além. São ecos de Basement Jaxx, Groove Armada e outros nomes que movimentaram a cena britânica na virada do século. Perfeita representação desse direcionamento criativo pode ser percebida na inescapável Play Me.

Originalmente lançada em julho do último ano, a faixa concentra o que há de mais interessante no som da dupla, como os elementos de drum and bass, vozes complementares e batidas imprevisíveis. Entretanto, é na combinação de versos cíclicos e estruturas calculadas que o álbum se sustenta. Canções como L.U.C.K.Y e If You Wanna Party, Come Over To My House que, mesmo previsíveis, conseguem hipnotizar o ouvinte.

Sétima faixa do disco, I Like It Like That sintetiza isso de maneira bastante eficiente. São pouco mais de dois minutos em que a intencional repetição dos versos funciona como um componente rítmico, fortalecendo as bases da canção que ainda evoca M.I.A. ao incorporar elementos de reggae. A própria Butterflies, logo nos minutos iniciais do trabalho, antecipa uma série de conceitos que serão aprofundados pelos dois artistas.

Embora eficiente na maior parte do tempo, a reduzida combinação de estilos e a queda de qualidade após TTYGF tornam o fechamento do álbum pouco satisfatório. Nem Lonely, com seus elementos de Miami Bass, dá conta de sustentar os momentos finais do registro. É como se Lewis e Wise concentrassem o que há de melhor na porção inicial da obra, proposta que garante ao público um disco divertido, mas desequilibrado.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.