Ano: 2026
Selo: Beatwise Recordings / Empire
Gênero: Eletrônica, Grime, Rap
Para quem gosta de: SD9 e Carlos do Complexo
Ouça: M.P.B e Maduro Tech-Fleece
Ano: 2026
Selo: Beatwise Recordings / Empire
Gênero: Eletrônica, Grime, Rap
Para quem gosta de: SD9 e Carlos do Complexo
Ouça: M.P.B e Maduro Tech-Fleece
Uma das obras mais celebradas do período pandêmico, Brime! (2020) ganha uma continuação que destaca o que há de melhor na relação entre CESRV, Febem e Fleezus. Enquanto o primeiro assume a produção do material, os outros dois se revezam na construção dos versos, proposta que faz de Brime!! (2026, Beatwise Recordings / Empire) um trabalho tão interessante, fresco e provocativo quanto o registro que o antecede.
Exemplo disso fica evidente logo na introdutória M.P.B. Misto de manifesto em defesa da vida nas periferias e uma celebração sobre a ascensão econômica do grupo, a canção redefine a ideia de “MPB” como “Música Periférica Brasileira”, destacando vivências, resistência e o protagonismo nas quebradas. É como um ensaio para aquilo que o trio busca desenvolver no decorrer do trabalho, ampliando os limites temáticos da obra.
Esse mesmo direcionamento político ganha ainda mais destaque na canção seguinte, Meu Bairro Não Tem Airbnb. Enquanto CESRV combina elementos de música de capoeira, funk e grime, Febem e Fleezus partem de experiências pessoais para mergulhar na formação dos versos. São rimas que, mais uma vez, celebram as conquistas da dupla e até seguem a trilha da faixa que a antecede, porém, partindo de outros recortes.
Nada que prepare o ouvinte para o salto criativo da faixa seguinte, Maduro Tech-Fleece. Enquanto a base da canção combina elementos de Mimosa 2000, de Dennis DJ, com Capítulo 4, Versículo 3, dos Racionais MC’s, Febem e Fleezus discutem consumo, repressão e acesso em uma espécie de manifesto comunista para as pistas. O próprio trecho final da canção, com fragmentos de um discurso da economista Maria da Conceição de Almeida Tavares, contribui para esse resultado, reforçando o aspecto político do material.
Claro que esse forte discurso político não interfere na entrega de faixas deliciosamente hedonistas, marca do EP anterior. A própria sequência formada por São Paulo Aquariana e Tem Uma Sexta Na Minha Quarta contribui para isso. Entre versos que soam como um convite para uma noite de excessos, CESRV brinca com a construção das batidas que se entregam às pistas, lembrando a obra do produtor em carreira solo.
Passado esse momento de maior euforia e libertação, Zagallo’97 pontua o trabalho com sobriedade. Do uso calculado das batidas ao fino toque de melancolia dos versos, poucas vezes antes o trio paulistano pareceu tão vulnerável em estúdio. Dessa forma, mesmo operando em uma estrutura relativamente enxuta, Brime!! evita qualquer sensação de rascunho ou apêndice do EP anterior. Pelo contrário, há um cuidado evidente em tensionar fórmulas já testadas, seja pelo refinamento das bases de CESRV ou pela forma como Febem e Fleezus alternam entre a crônica, a ostentação e a crítica social sem qualquer forma de hierarquização.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.