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Crítica

Fine

: "Jazz Dreams"

Ano: 2026

Selo: Escho

Gênero: Dream Pop

Para quem gosta de: ML Buch e Smerz

Ouça: Everything In The Shade, Portal e Run

8.5
8.5

Fine: “Jazz Dreams”

Ano: 2026

Selo: Escho

Gênero: Dream Pop

Para quem gosta de: ML Buch e Smerz

Ouça: Everything In The Shade, Portal e Run

/ Por: Cleber Facchi 30/10/2026

Entre citações à Clarice Lispector, vozes submersas e arranjos enevoados, Fine Glindvad Jensen faz de Jazz Dreams (2026) a passagem para um universo particular. Sequência ao material apresentado em Rocky Top Ballads (2024), o trabalho se projeta de forma ainda mais incerta em relação ao álbum que o antecede. São composições que parecem dançar pelo tempo, com a artista dinamarquesa servindo de âncora emocional.

“Além do pensamento, não existem palavras”, canta Fine na derradeira Much To Say. Embora posicionada no encerramento do disco, a faixa sintetiza de maneira eficiente aquilo que a artista busca desenvolver ao longo do trabalho. Enquanto os arranjos transitam entre o jazz e o dream pop, lembrando as trilhas sonoras de Angelo Badalamenti para David Lynch, versos contemplativos evidenciam as inquietações da musicista.

É como se, a cada nova música do disco, fôssemos convidados a mergulhar ainda mais fundo na mente, na alma e no coração de Fine. “Se você quiser descer / Escapar, basta um choque / Em qualquer momento da sua vida”, pontua a cantora em If You Wanna Come Down, reforçando o caráter introspectivo do trabalho. Instantes em que a artista utiliza as próprias dores, tormentos e romances para se aproximar do ouvinte.

Apesar do lirismo intimista e do andamento vagaroso, Jazz Dreams, assim como Rocky Top Ballads, jamais se distancia do pop. Em Run, por exemplo, a voz etérea da musicista atravessa uma cortina de emanações nostálgicas que evocam nomes como Air e Goldfrapp. Já em I Could, é a aridez das guitarras, o baixo denso e o uso certeiro das batidas que tanto aproximam a cantora de Lana Del Rey como da obra do Mazzy Star.

Surgem ainda composições como Goodbye Brain, um pop litorâneo com ares de anos 1960, e a econômica Sometimes I Rush, com suas batidas calculadas no melhor estilo Smerz, que revelam a capacidade de Fine em dialogar com diferentes públicos. Nada que diminua a fascinação e o impacto de baladas empoeiradas como Everything In The Shade, Portal e Moment, típicas do repertório apresentado em Rocky Top Ballads.

Dessa forma, a artista avança em estúdio sem jamais romper com a estética estabelecida no disco anterior. A própria The Thing, na abertura do disco, reforça o caráter exploratório de Fine em um jazz infusionado com elementos de reggae. Um fino repertório que transforma canções aparentemente tradicionais em algo misterioso e atual, como o vislumbre de algo que parece compreendido em essência apenas pela cantora.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.