Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Pós-Rock
Para quem gosta de: Maquinas e Sonhos Tomam Conta
Ouça: Vácuo Grandioso e Um Evento Maior Que o Mundo
Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Pós-Rock
Para quem gosta de: Maquinas e Sonhos Tomam Conta
Ouça: Vácuo Grandioso e Um Evento Maior Que o Mundo
Você já teve a sensação de ser esmagado pela sua própria casa? Em Prensado (2026) Rafael Xavier explora temas como opressão, ansiedade e sufocamento enquanto detalha incontáveis paisagens instrumentais. São canções que ganham forma em uma medida particular de tempo, sem pressa, como um lento desvendar de sensações que conduz de maneira complexa o sempre meticuloso processo de criação do artista na Gloios.
Terceira faixa do disco, Vácuo Grandioso sintetiza isso de forma bastante eficiente. Inaugurada com relativa urgência em relação ao restante do trabalho, a música aos poucos se transforma, abrindo passagem para a inserção de um discurso religioso, a poesia falada de Black Tupi e até trechos de Onda, de Cassiano. Pouco mais de dez minutos em que o músico parece jogar com a experiência do ouvinte de maneira provocativa.
É como se cada composição fosse montada a partir de escombros sensoriais, poéticos e rítmicos. Canções que transportam para dentro de estúdio a sensação de viver em um grande centro urbano, com diferentes personagens sendo esmagados pelo tom cinzento do cenário que os cerca. A própria escolha de Xavier em incorporar diferentes vozes, como as dos músicos Vitor Marsula e Lua Viana, contribui para esse resultado.
Ainda que essa pluralidade de elementos, formas e tensões contribua para momentos de maior exagero e evidente desequilíbrio criativo, principalmente na segunda metade do trabalho, o músico mantém firme a consistência do material na maior parte do tempo. Seja pela escolha dos timbres ou da base ruidosa que orienta a elaboração do disco, tudo gira em torno de um mesmo universo essencialmente urbano e caótico.
Interessante notar que, mesmo orientado pela atmosfera sombria que se apresenta logo na imagem de capa do disco, Prensado tem seus respiros. São faixas como Sol Mesquinho, com seu dedilhado cristalino e lento acréscimo dos instrumentos que destaca o lado melódico de Xavier. A própria Deserto Abandonado, com elementos de baião, é outra que fascina pela capacidade do compositor em transitar por diferentes estilos.
Entretanto, é quando se entrega ao caos que Xavier garante ao público algumas das melhores composições do disco. Da ambientação suja de Nulo, com ecos de Godspeed You! Black Emperor, ao fechamento épico de Um evento maior que o mundo, com diferentes atravessamentos de informações, notável é a habilidade do artista em combinar elementos conflitantes com uma naturalidade única dentro de estúdio. Um misto de controle e colapso criativo que evidencia a potência do trabalho mesmo quando tudo parece prestes a ruir.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.