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Crítica

Hemlocke Springs

: "The Apple Tree Under The Sea"

Ano: 2026

Selo: Awal

Gênero: Pop Rock, Synthpop

Para quem gosta de: Magdalena Bey e Spellling

Ouça: W-W-W-W-W, Be The Girl e Moses

7.6
7.6

Hemlocke Springs: “The Apple Tree Under The Sea”

Ano: 2026

Selo: Awal

Gênero: Pop Rock, Synthpop

Para quem gosta de: Magdalena Bey e Spellling

Ouça: W-W-W-W-W, Be The Girl e Moses

/ Por: Cleber Facchi 17/03/2026

A colorida ilustração que estampa a imagem de capa de The Apple Tree Under The Sea (2026, Awal), disco de estreia de Hemlocke Springs, diz muito sobre aquilo que Naomi Udu busca desenvolver no decorrer do material. São faixas cintilantes que passeiam pelo pop dos anos 1980, 1990 e 2000 sem jamais corromper a identidade artística da musicista que, mesmo acessível e radiante, se aprofunda em temáticas espinhosas.

Filha de imigrantes nigerianos, Udu perverte o pop tradicional ao mergulhar em questões complexas que vão de dilemas morais a temas religiosos e existenciais. Exemplo disso fica bastante evidente na pegajosa W-W-W-W-W, canção em que aborda uma narrativa sombria sobre casamento forçado, porém, preservando o forte aspecto radiofônico, conceito que embala a experiência do ouvinte até os minutos finais do trabalho.

É como se Udo não apenas fizesse a lição de casa, resgatando a essência de veteranas como Janet Jackson e Madonna, mas sempre acrescentando algo a mais. Em Moses, por exemplo, são imagens bíblicas, como Moisés e a estátua de sal, para tratar sobre resistência, devoção e a decisão de seguir em frente apesar das tentações ao redor. E isso não se reflete apenas na formação dos versos, mas nos arranjos e bases também.

A própria Moses, com seus coros de música gospel e batidas que se entregam ao drum and bass, sintetiza isso de maneira bastante eficiente. Essa mesma fluidez acaba se refletindo em Head, Shoulders, Knees and Ankles, composição que evoca o trabalho de Marina em The Family Jewels (2010). Nada que prejudique a entrega de faixas marcadas pelo uso destacado dos sintetizadores, base para a obra de Hemlocke Springs.

Exemplo disso fica bastante evidente em Sever The Blight. Enquanto os versos tratam sobre uma relação desigual, marcada por abandono, dependência afetiva e idealizações românticas frustradas, sintetizadores e batidas rápidas destacam a relação de Udu com o pop. Essa mesma fluidez pode ser percebida em outros momentos ao longo do álbum, como em Sense (Is) e Be The Girl, faixa que encerra o disco com excelência.

Embora consistente na maior parte do tempo, Udu não escapa de alguns deslizes. É o caso de Set Me Free, música que mais parece a sobra de algum álbum de Nelly Furtado nos anos 2000, ou mesmo o excesso de interlúdios em uma obra tão curta. Nada que comprometa o impacto do disco, sustentado em essência pela curiosa interpretação sobre o pop e a forma como a artista transforma temas delicados em faixas vibrantes.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.