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Crítica

Interpol

: "This Mirror Weighs A Ton"

Ano: 2026

Selo: Partisan

Gênero: Rock

Para quem gosta de: The National e Bloc Party

Ouça: See Out Loud, Wings On Fire e Enemy

7.5
7.5

Interpol: “This Mirror Weighs A Ton”

Ano: 2026

Selo: Partisan

Gênero: Rock

Para quem gosta de: The National e Bloc Party

Ouça: See Out Loud, Wings On Fire e Enemy

/ Por: Cleber Facchi 08/09/2026

Passar os últimos anos excursionando com o repertório de Turn on the Bright Lights (2002) e Antics (2004) trouxe benefícios ao Interpol. Longe de se repetir, o grupo nova-iorquino surge inspirado com This Mirror Weighs A Ton (2026), trabalho que preserva a essência soturna da banda que surgiu no final da década de 1990, porém incorpora novas possibilidades e diferentes percursos criativos a cada nova música do disco.

A própria faixa-título do álbum, posicionada na abertura do trabalho, funciona como um claro indicativo de tudo aquilo que o grupo busca desenvolver ao longo do material. Longe do pós-punk acelerado que marca os principais registros do Interpol, Paul Banks e seus companheiros investem em uma criação atmosférica que ainda destaca os sintetizadores etéreos de Andrew Wyatt, também responsável pela produção da obra.

Esses momentos de maior suavidade estão presentes durante toda a execução do registro. Em Iron City, por exemplo, o canto solitário de Banks é adornado pelo piano cristalino que busca emular um glockenspiel. Já em Enemy, com vozes adicionais de Juliet Seger-Banks, esposa do cantor, é a instrumentação orgânica e o lento desvendar dos elementos que captura a atenção do ouvinte e orienta com leveza a fluidez da canção.

Nada que prejudique a entrega de faixas ainda íntimas dos antigos trabalhos da banda. É o caso de See Out Loud. Vinda em sequência ao material entregue na música-título do disco, a canção destaca as guitarras de Daniel Kessler, que ainda assume parte das vozes. Surgem ainda composições como Wings On Fire, registro que destaca o lado mais acessível do grupo nova-iorquino, lembrando o repertório apresentado em Antics.

Partindo dessa abordagem equilibrada e musicalmente curiosa, Banks e seus parceiros de banda fazem de This Mirror Weighs A Ton o melhor e mais coeso disco do Interpol desde Our Love to Admire (2007). Claro que esse maior capricho não interfere na entrega de composições menos interessantes. Passado So Rides the Reindeer, com sua base eletrônica e sintetizadores psicodélicos, o trabalho perde parte da fascinação.

Ainda assim, o capricho na elaboração dos arranjos e versos prevalece durante toda a execução do disco. Da bateria certeira de Samuel Fogarino aos acréscimos discretos de Wyatt, há tempos o grupo não parecia tão empolgado em estúdio. É como se a banda preservasse o entusiasmo já aparente no trabalho anterior, The Other Side of Make-Believe (2022), e fosse além, testando novas possibilidades sem perder identidade.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.