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Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Los Thuthanaka e Huremic

Ouça: Ch'uwanchaña ~El Golpe Final~ e Anata

7.8
7.8

Joshua Chuquimia Crampton: “Anata”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Experimental

Para quem gosta de: Los Thuthanaka e Huremic

Ouça: Ch'uwanchaña ~El Golpe Final~ e Anata

/ Por: Cleber Facchi 05/03/2026

Mesmo responsável por uma sequência de obras que se acumulam desde o início da presente década, foi ao lado da irmã, Chuquimamani-Condori, que Joshua Chuquimia Crampton ganhou maior notoriedade no projeto Los Thuthanaka. Dono de um estilo único de composição, o músico retorna agora em carreira solo com Anata (2026, Independente), trabalho em que utiliza dessa experiência acumulada como ferramenta.

Inspirado pelo ritual andino que celebra a estação das chuvas e dá nome ao disco, Crampton parte desse contexto para investir em um registro marcado pelo aspecto transcendental. São canções que utilizam da habitual sobreposição dos elementos, base para as criações do guitarrista e sua irmã, porém, substituindo o acabamento eletrônico por um repertório enxuto que valoriza a força dos instrumentos, ruídos e texturas.

Não por acaso, a primeira coisa que escutamos em Anata é um bombo italaque, tradicional instrumento de percussão andino, imerso em camadas de distorção. É como se o artista, para além da questão ritualística, buscasse sempre pelo estado de êxtase e as experiências que transcendem o mundo físico. São criações borradas, por vezes etéreas, como uma interpretação poética do que reverbera dentro do plano espiritual.

Ainda que muitos desses elementos sejam percebidos em outros trabalhos de Crampton, como Profundo Amor (2023) e Estrella Por Estrella (2024), diminuindo a sensação de ineditismo do registro, prevalece em Anata uma homogeneidade poucas vezes antes percebida na produção do artista. Do momento em que tem início, em Chakana Head-Bang!, cada novo movimento do guitarrista abre passagem para a faixa seguinte.

Embora parta de uma abordagem consistente, com faixas que soam como fragmentos de um mesmo ritual, Crampton concede maior destaque a composições específicas ao longo da obra. É o caso de Ch’uwanchaña ~El Golpe Final~. Do charango boliviano marcado pela distorção, passando pelo sempre complementar uso do ronroco, notável é o capricho do instrumentista norte-americano e o esforço em se desfiar criativamente.

Surgem ainda preciosidades, como a psicodélica Mallku Diablón e a própria canção-título do trabalho, que levam o repertório do guitarrista para outros territórios. Dessa forma, mais do que simplesmente ampliar a paleta de timbres, essas faixas reafirmam a capacidade do músico de tensionar tradição e experimentação sem diluir a sonoridade que o define. Um misto de transe e linguagem que caracteriza a obra de Crampton.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.