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Crítica

Kelsey Lu

: "So Help Me God"

Ano: 2026

Selo: Dirty Hit

Gênero: Art Pop

Para quem gosta de: Moses Sumney e serpentwithfeet

Ouça: Running To Pain, Reaper e Comfort

8.0
8.0

Kelsey Lu: “So Help Me God”

Ano: 2026

Selo: Dirty Hit

Gênero: Art Pop

Para quem gosta de: Moses Sumney e serpentwithfeet

Ouça: Running To Pain, Reaper e Comfort

/ Por: Cleber Facchi 25/06/2026

Os mais de oito minutos de Reaper, música que inaugura So Help Me God (2026, Dirty Hit), são essenciais para entender aquilo que Kelsey Lu busca desenvolver no segundo e mais recente trabalho de estúdio da carreira. Sequência ao material apresentado em Blood (2019), o registro segue em uma medida ainda mais particular de tempo, destacando a lenta construção dos arranjos e o fino acabamento instrumental da obra.

Inspirado pelas paisagens vulcânicas de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde o trabalho foi concebido pela cantora, So Help Me God parte desse cenário transformado pela natureza para tratar sobre a reconstrução emocional de Lu. São canções que tratam sobre a dificuldade da artista em se compreender, a sensação de aprisionamento em relações desgastadas e o gradativo processo de cura após uma experiência traumática.

Sim, eu continuo / Correndo, correndo, correndo, correndo / De volta à dor”, canta a artista em Running To Pain, música que sintetiza essa complexa relação de compreensão sobre os próprios sentimentos. É como se a musicista mergulhasse em inquietações profundas, sempre dividida entre saber o que é melhor para si e permanecer presa a padrões nocivos ou relacionamentos destrutivos. Um misto de dor e lenta libertação.

Embora parta de uma abordagem bastante pessoal, interessante perceber que So Help Me God talvez seja o trabalho mais coletivo de Lu. Com produção assinada por Jack Antonoff e Yves Rothman, o álbum ainda se abre para nomes como Kim Gordon, Kamasi Washington e Sampha, destacando a profundidade do registro que se divide entre ambientações orgânicas e a sempre meticulosa inserção de componentes eletrônicos.

Em American Sonnet, por exemplo, são pianos e orquestrações sutis que contrastam com o uso de ruídos sintéticos, soando como uma composição perdida de Björk. Mesmo quando se aproxima de uma linguagem mais pop, como em Better Than That e Portrait Of A Lady On Fire, a cantora nunca deixa de experimentar, colidindo elementos irregulares que ampliam de maneira explícita tudo aquilo que foi revelado em Blood.

Nesse sentido, mesmo prejudicado pelo andamento moroso, principalmente na segunda metade do disco, So Help Me God tem sempre um novo componente criativo que captura a atenção do ouvinte. Seja pelo uso de elementos dissonantes ou pela força avassaladora dos versos, conceito reforçado em Comfort e Cutting Off The Head Of A Ghost, Lu encontra diferentes soluções para atrair, provocar e acolher com delicadeza.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.